Secretário envia fitas ao Instituto de Criminalística
O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, encaminhou ontem ao Instituto de Criminalística do Paraná as primeiras 12 fitas cassete com gravações telefônicas feitas entre os dias 10 e 25 de maio, para análise e transcrição das conversas entre as lideranças sem-terra. De acordo com o secretário, durante as conversas telefônicas ficou evidenciado que os sem-terra pretendiam agir com violência contra a polícia e contra a juíza de Loanda, Elizabeth Khater.
‘‘Acho que isto ficou claro nas fitas que foram apresentadas à imprensa, os sem-terra queriam atear fogo no Fórum de Loanda e ameaçaram capar policiais e decapitar a juíza’’, afirmou ele. A secretaria pretende encaminhar as fitas e as transcrições feitas pelo Instituto de Criminalística do Paraná para o Ministério Público Estadual, Federal e para o Ministério da Justiça. ‘‘Acho que eles são os órgãos competentes para analisar e julgar os crimes que poderão estar subentendidos nestas fitas’’, disse Oliveira.
A autorização para que fosse feita a escuta telefônica em entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra foi dada pela juíza Elizabeth, citada diversas vezes pelos sem-terra e classificada pelos líderes como aliada dos fazendeiros e latifundiários. ‘‘Ela é a juíza da região, não podíamos pedir a autorização para a escuta para qualquer outro juiz que não fosse ela’’, explicou.
O argumento utilizado por Oliveira para justificar a necessidade da escuta se baseou nas notícias anônimas de que os sem-terra estavam se armando, nas declarações radicais dadas por líderes sem-terra à imprensa, nas palavras do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso de que o MST era uma organização paramilitar e em função da operação desarmamento. ‘‘Para desarmar, tínhamos que identificar os principais focos de violência’’, argumentou ele.
Durante os 15 dias em que foram feitas as escutas telefônicas, cerca de 150 fitas foram gravadas. Todas elas deverão ser encaminhadas, gradativamente, para a análise do Instituto de Criminalística e para o Ministério Público. Cândido Martins de Oliveira descartou ontem a possibilidade dos sem-terra terem forjado as conversas telefônicas, sabendo da existência do grampo. ‘‘É impossível que durante os 15 dias de escuta os sem-terra só tenham feito brincadeiras ao telefone’’, declarou ele.
áOliveira disse ainda não acreditar que a divulgação da escuta telefônica interfira no cronograma de desocupações de terra no interior do Estado. ‘‘Acho que as reintegrações irão acontecer espontaneamente’’, afirmou. Ele acrescentou que o governo do Estado já tem um estudo completo para o cadastramento dos sem-terra e assentamento das famílias que vivem em acampamentos não regularizados. O estudo, disse ele, deverá ser divulgado no final deste mês. (L.P.)

mockup