Secretário e vereador trocam ofensas durante negociação do projeto que cria frentes de trabalho
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 14 (AE) - O vereador Ítalo Cardoso (PT) e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Requalificação Profissional, Fernando Salgado, discutiram e trocaram ofensas, hoje, durante a negociação para a aprovação do projeto de lei que institui o programa de requalificação profissional e prevê a criação de 10 mil frentes de trabalho na cidade de São Paulo. O desentendimento começou quando o acordo entre o Executivo e o Legislativo para acelerar a votação do projeto parecia estar praticamente fechado. Os vereadores, Salgado e o dirigentes da Força Sindical estavam trocando elogios mútuos, quando a vereadora Myriam Athie (PPB) lembrou que não havia ficado bem explicado se o projeto trataria de requalificação profissional e ou frentes de trabalho.
Salgado disse que o assunto havia sido esgotado numa reunião de várias horas no início da semana. Cardoso discordou, dizendo que havia diferença e que a questão precisava ficar mais clara. "Talvez não esteja claro somente para você, que provavelmente dormiu na reuniu", reagiu o secretário. "Eu exijo respeito aos vereadores e vão ter de explicar sim, porque, do contrário, apresento substitutivo e emperro esse negócio", respondeu Cardoso.
Salgado deixou a sala da presidência da Câmara. "É isso que dá por assessor de imprensa como secretário, porque não entende a diferença entre requalificação profissional e frente de trabalho", concluiu o verador do PT. Expectativa - Apesar dos desentendimentos, a previsão é que o projeto de lei seja aprovado amanhã em primeiro turno. Os vereadores devem pegar a assinatura dos membros das comissões permanentes por meio do Congresso de Comissões, como um parecer em conjunto. A votação em definitivo deve ocorrer na próxima terça-feira.
Os vereadores decidiram aprovar a proposta depois que foram informados que a verba necessária avaliada em R$ 15 milhões seria retirada do fura-fila e não de projetos sociais. A intenção do governo é contratar cerca de 10 mil desempregados para serviços gerais na cidade e ministrar cursos de requalificação profissional, que permitam o retorno ao mercado de trabalho. Protesto - A Força Sindical realizou um protesto em frente à Câmara, para pressionar o Legislativo a aprovar o projeto de lei que cria vagas de trabalho. O dirigentes disseram que não era uma pressão, mas sim um "acompanhamento" dos trabalhos legislativos. O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), afirmou que se houvesse intenção de pressionar os vereadores, seria legítimo.


