Cuiabá,11 (AE)- O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Hilário Mozer Neto, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de facilitação de fuga de três traficantes e um assaltante de banco. A denúncia foi protocolada no Tribunal de Justiça dia 6, mas só foi divulgada hoje. Há cerca de um mês, o secretário também foi indiciado por crime de lesão corporal por ter espancado um gari.
A fuga aconteceu no dia 16 de junho, quando os detentos José Nunes Pereira Neto, Marcos Aurélio Batista Ferreira, João da Silva e Júlio Martins Júnior saíram pela porta da frente do presídio Carumbé depois de negociar a liberação por US$ 34 mil com agentes cacerários.
Dez servidores da Segurança Pública entre agentes carcerários, soldados, tenente, sargento e o próprio comandante geral da Polícia Militar (PM), coronel José Renato Martins, já foram denunciados pelo Ministério Público. Eles estão sendo processados pelos crimes de corrupção passiva, promoção e facilitação de fuga e corrupção ativa - cada um com uma ou mais acusações.
O procurador-geral de Justiça, Guiomar Teodoro Borges, enfatiza na denúncia que o secretário e o comandante-geral da PM
sabiam antecipadamente do plano de fuga e nada fizeram para impedi-lo. As denúncias foram motivadas pela confirmação de que tanto Martins quanto Mozer sabiam do plano com antecedência e não providenciaram nenhuma ação eficiente para evitar que os presos saíssem pela porta da frente do presídio.
"Ao invés de evitar a fuga uma vez que já havia uma movimentação e boatos dos presos, fizeram ao contrário alimentando o curso da ação criminosa", afirmou o procurador-geral. Para o MP, a omissão do secretário Hilário tem o mesmo valor de facilitação da fuga. "Ele (Hilário) também tinha a obrigação legal de impedir a fuga, já que tinha conhecimento". Numa crítica dura ao comportamento do comando da PM diante do plano de fuga, o MP enfatiza na ação de quatro páginas que, "após o sucesso total da fuga, policiais militares saíram à caça dos fugitivos, quando não é preciso ser nenhum expert no assunto para concluir que, se realmente houvesse interesse em impedi-la, era só montar guarda do lado de fora do presidio do Carumbé, o que não foi feito".
Diante dos indícios de que houve financiamento do narcotráfico para liberação dos traficantes, o procurador-geral designou o promotor João Augusto Gadelha para acompanhar o caso. Borges participou diretamente das investigações, acompanhando os depoimentos de todas as testemunhas. O governador Dante de Oliveira (PSDB) não quis comentar o assunto. A reportagem não localizou o secretário de Segurança Pública. Segundo a assessoria de imprensa, ele está viajando e só retorna a Cuiabá amanhã.

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