Porto Alegre, 25 (AE) - O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, colocou sob "suspeita" a amostragem da soja gaúcha supostamente transgênica analisada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e na qual não foi detectada a presença do gene resistente ao glifosato. "O problema está na coleta das amostras, a cargo do Ministério da Agricultura", afirmou o secretário. O resultado das análises foi divulgado hoje, em Brasília. "O trabalho não tem validade e não representa fielmente o que acontece no Estado", disse Hoffmann.
O secretário ressalvou que tanto a Embrapa Trigo de Passo Fundo quanto o Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, "fizeram o seu trabalho com seriedade" em cima do material que receberam. O recolhimento das amostras, porém, constituiu uma "caixa preta", da qual foram afastadas a Secretaria da Agricultura e as organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas do Estado, afirmou. Segundo ele, além disso, o planejamento inicial previa a coleta de cerca de 1 mil amostras e até agora somente 312 foram encaminhadas à Embrapa.
O secretário gaúcho quer que o levantamento seja completado com o acompanhamento de representantes do Estado e das ONGs. Ele também exige a investigação de oito lavouras e 30 sementeiros nos municípios de Jóia, Tupanciretã e Cruz Alta, onde testes prévios feitos pela secretaria apontaram material transgênico. Todos os casos foram denunciados ao Ministério da Agricultura, lembrou. "Se depois de tudo isto as análises derem negativas, ótimo; significa que nossa campanha contra o plantio de transgênicos no Estado deu certo", comentou. "Por enquanto, porém, não dá para festejar.

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