Porto Alegre, 12 (AE) - O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermetto Hoffmann, classificou de "absurda" a nota publicada hoje pelo Sindicato das Indústrias do Fumo (Sindifumo) encerrando unilateralmente as discussões sobre o reajuste dos preços dos produtos. "Há um processo de negociação em andamento com o envolvimento crescente dos poderes Executivo e Legislativo dos três estados do Sul", comentou.
De acordo com Hoffmann, representantes das Assembléias Legislativas e das Secretarias de Agricultura do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Estados que concentram a produção fumageira do País, irão a Santa Cruz do Sul na próxima segunda-feira participar de uma manifestação em apoio aos produtores. O protesto é organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), pelo Departamento Rural da CUT e pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
O secretário tentará ainda hoje conversar com o presidente do Sindifumo, Cláudio Henn, para negociar um encontro com os produtores no dia 19. "Pelo menos o diálogo deve ser mantido", disse. Hoffmann criticou o comportamento da indústria por "não aceitar as regras democráticas do jogo", que incluem negociação "sob pressão". Segundo ele, as empresas instaladas no Rio Grande do Sul ganharam R$ 1,2 bilhão em incentivos fiscais no governo passado, além de R$ 180 milhões dos R$ 400 milhões repassados pelo Pronaf ao Estado em 1998.
Na opinião do secretário, o setor mantém "conluio" com o dinheiro público e recebeu ainda cerca de 50% de todos os créditos rurais do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) nos últimos quatro anos.

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