Brasília, 02 (AE) - O secretário de Relações Internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que seu partido não enviou comunicado algum para o governo brasileiro, e muito menos para o ministro Luiz Felipe Lampreia, apoiando a decisão do governo brasileiro de não discutir cláusulas sociais e regras de proteção aos trabalhadores na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, Estados Unidos.
"A posição do presidente Bill Clinton, de defesa dos direitos trabalhistas, é certamente hipócrita porque o governo norte-americano é famoso por não acatar as resoluções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)", afirmou Garcia. "Mas isso não autoriza o governo brasileiro a declarar que tem o respaldo do PT nessa questão."
Para o secretário petista, também não há divergência entre o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) nas discussões de cláusulas sociais em tratados comerciais. "Defendemos a discussão de regras de proteção aos trabalhadores na OMC e em vários outros fóruns, mas isso também não significa apoio ao presidente Clinton, que claramente utiliza esse argumento para aumentar as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos."
Lampreia declarou hoje que "o Brasil continua a ter a posição que sempre teve" e o governo sente-se politicamente respaldado até pelo seu maior opositor doméstico para rejeitar proposta dos EUA de discussão de cláusulas sociais. "Na sexta-feira passada, recebi uma comunicação da direção nacional do Partido dos Trabalhadores em que apóia claramente a posição do governo brasileiro na questão trabalhista", afirmou Lampreia.
O secretário de Relações Internacionais do PT estranhou a declaração do ministro e disse que não sabe a que comunicado Lampreia está se referindo.

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