Secretário do PSDB banca indicação de Barros para Executiva
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Cláudia Carneiro e Maria Inês Nassif 
Brasília, 14 (AE) - O secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Vigílio Neto (AM), decidiu bancar a eleição do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros para uma das cinco vice-presidências do partido, em confronto com cerca de 70 deputados da bancada tucana que serão a principal oposição da base do partido. Barros foi indicado pelo governador de São Paulo, Mário Covas, teve o endosso do ministro da Saúde, José Serra, e da direção partidária. Mas contou com a imensa resistência da bancada tucana na Câmara e com o temor de que os holofotes sobre ele tragam novamente a intriga dos outros partidos aliados do governo.
Covas fez questão da presença de Barros na direção do partido, como um desagravo ao correligionário que deixou o governo Fernando Henrique Cardoso, sob denúncias de manipulação no processo de privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) e, agora, ressurge na mídia em função de um suposto ganho excessivo da corretora Link, de propriedade dos filhos dele, com a mudança da política cambial.
Nos dois casos, os tucanos localizam nos partidos aliados um movimento para desestabilizar o ex-ministro das Comunicações, que era visto como um provável sucessor do falecido Sérgio Motta no comando político do governo. Mas, segundo o ex-deputado Jayme Santana (MA), o tucano Motta dizia que Barros era um excepcional operador, mas um péssimo político.
Há três semanas o ex-ministro cometeu uma deselegância, quando deixou de comparecer a um jantar promovido pelo deputado Sebastião Madeira (PSDB-MA) especialmente para o ouvir sobre a conjuntura econômica. Os cerca de 70 deputados da bancada tucana que o aguardavam na residência de Madeira ficaram frustrados.
"Ele não tem vida partidária e, para subir o degrau, tem de fazer história antes", observou o deputado Ubiratan Aguiar (CE). Foi no episódio do jantar que Barros perdeu em definitivo a secretaria-geral do partido, que será ocupada por um membro da bancada: o deputado Márcio Fortes (RJ).
Virgílio Netto deixa amanhã (15) a secretaria-geral e assume na próxima semana a liderança do governo no Congresso, desalojando o interino, deputado Luiz Carlos Hauly (PR), que trabalhou muito para ser efetivado no cargo. "Agora, nenhuma crítica ao governo ficará sem resposta", anunciou hoje o futuro líder do governo.
O novo formato da direção partidária vai neutralizar o fato de o PSDB ter dificuldades para manter no comando integrantes "do primeiro time" do partido, todas elas mobilizadas em funções executivas, como os ministros e governadores tucanos. A Executiva terá um perfil operador. O senador Teotônio Vilela Filho (AL) será reconduzido à presidência do partido e serão criadas cinco vice-presidências, sem hierarquia. A cada três meses, um dos vice-presidentes assumirá a função de substituir o presidente. A função de todos na Executiva, no entanto, será temática.
Barros se ocupará da formulação da política econômica do partido. A nova Executiva seria concluída hoje à noite, mas estavam indicados para assumir cargos o deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA), o senador Paulo Hartung (ES) e o ex-prefeito de Juiz de Fora (MG) Custódio Matos. O Estado de São Paulo teria direito a mais um lugar na Executiva, que estava para ser ocupado pelos deputados Alberto Goldman ou Paulo Kobaiashi.
Um conselho político, que se reunirá a cada 45 dias com todas as estrelas do partido, servirá para dar dimensão política à Executiva.
"Quando Teotônio Vilela estiver discutindo com Antonio Carlos Magalhães (presidente do Congresso, do PFL da Bahia), não será ele, mas todo o primeiro time do PSDB que estará na mesa", explicou um dirigente do partido.


