Belém, 18 (AE) - O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, atacou hoje o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmando que este patrocina abusos sexuais, humilhações e ameaças armadas contra os próprios lavradores, e as famílias deles, que vivem nos acampamentos da entidade no sul do Estado. "Para atingir seus objetivos de lutar pelo poder, o MST utiliza mulheres grávidas e crianças para se proteger da reação da polícia."
Ele disse que a Polícia Militar, a partir de amanhã (19)
irá cumprir cinco mandados de reintegração de posse a fazendeiros cujas áreas estão ocupadas por famílias ligadas ao MST, como a Fazenda Cabaceira, em Marabá (PA). Câmara explicou que a ação da PM será feita com "cautela, mas dentro da lei", para evitar que ocorra algum tipo de violência.
O comandante da PM em Marabá, Jaime de Jesus, recebeu instruções do comando-geral, em Belém, para mobilizar 120 homens com o objetivo de retirar as 850 famílias acampadas na Fazenda Cabaceira. Acusando o MST de desviar recursos da reforma agrária
Câmara acrescentou que entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) sabem desses fatos. "Esses movimentos apóiam o MST mais por princípios, mas não pelo que ele faz."
Perguntado se o governo do Pará estaria com medo de acontecer o ocorrido em Eldorado dos Carajás (PA) para não cumprir liminares de reintegração de posse, Câmara foi taxativo: "Isso não está ocorrendo; vamos agir contra invasores da terra e contra quem obstruir rodovias toda vez que isso se fizer necessário."
A direção estadual do MST disse que as declarações do secretário não representam mais nenhuma novidade para o movimento. "A polícia e o governo que ele representa sempre estiveram ao lado dos latifundiários", resumiu o coordenador Raimundo Nonato Souza. Segundo ele, o MST não está disposto a sair da Fazenda Cabaceira, mesmo que a PM invada os acampamentos. "Vamos resistir, mesmo que eles queiram criar um novo Eldorado dos Carajás", afirmou, acrescentando que cerca de 60% da fazenda "estão em área do Estado".
Souza criticou também o fato de a polícia não levar a sério a denúncia de existência de um cemitério clandestino na Cabaceira. Esse, garante ele, seria mais um dos motivos para o MST não abandonar o local. Ninguém da CPT ou Fetagri foi encontrado para comentar as declarações de Câmara.

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