Porto Alegre, 09 (AE) - O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, disse hoje que o governo vetará a lei aprovada ontem (08) pela Assembléia Legislativa desautorizando o Estado a fiscalizar propriedades suspeitas de cultivarem soja transgênica. "Não temos nenhuma dúvida quanto ao veto", disse. Segundo o secretário, o projeto do deputado Frederico Antunes (PPB) é "demagógico e irresponsável" pois estimula a ilegalidade ao "dar a ilusão" de que os produtores podem plantar transgênicos. Ele entende que a aprovação da lei deverá agravar a tensão no campo, pois os agricultores poderão aumentar a resistência aos fiscais do Estado.
Para Hoffmann, a lei é "inócua", já que a fiscalização está amparada nas constituições Federal e Estadual e também na lei federal de controle de sementes. Ele garantiu a manutenção do trabalho dos fiscais da secretaria e disse esperar que o projeto, que restringe as inspeções ao Ministério da Agricultura sirva pelo menos para estimular o governo federal "a fazer o que deveria ter feito desde o início". De acordo com o secretário, mesmo se o recurso judicial contra a proibição das sementes produzidas pela Monsanto for bem-sucedido, a situação das lavouras transgênicas no Rio Grande do Sul não mudará. "Esta soja será ilegal até desaparecer porque foi contrabandeada da Argentina". Conforme o secretário, os agricultores que não encontrarem mercado para a soja transgênica deverão responsabilizar quem estimulou o plantio ilegal. Ele referia-se à Assembléia Legislativa e à Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que orientou os produtores a não permitir o acesso dos fiscais da secretaria às propriedades.

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