Secretário diz que falta 'credibilidade' ao soldado Meira
Dimitri do Valle
O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, desqualificou as declarações do soldado Antônio Cláudio Cardoso de Meira dadas à Folha e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Meira confirmou que houve violência nas desocupações de fazendas promovidas pela polícia na região Noroeste do Estado na madrugada. O conteúdo do depoimento não nos surpreendeu, disse o secretário, acrescentando que faltou credibilidade às declarações.
O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, contestou as afirmações do secretário. Ouvi da presidência da Comissão de Direitos Humanos que as informações do governo do Estado e da Secretaria de Segurança Pública é que não merecem credibilidade, rebateu. Frigo entende que as declarações do soldado, que trabalhava no setor de comunicação social da PM, em Curitiba, só provam e reforçam os depoimentos já dados pelos trabalhadores sem-terra. No entanto, para Oliveira, é evidente que uma pessoa que se coloca na situação dele (Meira), acaba radicalizando a situação.
Segundo o secretário, não houve qualquer ato irregular nas operações. Oliveira voltou a defender que o trabalho da polícia é diferente do praticado pelos oficiais de Justiça. A operação militar é distinta do ato jurídico. Ela começa no dia anterior, com cautela, para evitar o confronto. O ato de desocupação é praticado pelo oficial de Justiça durante o dia, disse. A presença da polícia nas desocupações, diz o secretário, só foi requisitada porque os oficiais de Justiça já haviam se dirigido à área em litígio para comunicar que a fazenda seria desocupada.
A confirmação da vinda de verba federal (R$ 25 milhões) para ser aplicada em futuros assentamentos não altera o cronograma de futuras desocupações, diz o secretário. Há a perspectiva de novos assentamentos. Não vamos criar uma situação delicada, comentou.
Para o advogado Darci Frigo, da CPT, a expectativa maior com a vinda do dinheiro é de que o programa de reforma agrária no Paraná avance. Frigo analisa que a liberação de verbas representa apenas um ponto de uma etapa maior que envolve a violação de direitos humanos. O advogado informou que o ouvidor agrário nacional, Gercino José Neto, vai se deslocar até Querência do Norte, na próxima semana, para avaliar os conflitos agrários registrados na região.





