Secretário diz que emprego é melhor que reforma agrária
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - É mais barato para os governos urbanizar as favelas do que fazer reforma agrária no modelo que vem sendo adotado pelo Brasil há décadas. Foi com esse tom polêmico que o ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e atual secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Xico Graziano, participou, ontem, em Curitiba, do congresso ''O Direito de Propriedade no Novo Código Civil Repercussões agrárias'', organizado pela organização não-governamental Celeiro do Brasil.
Segundo Graziano, foram gastos cerca de R$ 25 bilhões em reforma agrária no Brasil nos últimos anos. Ainda assim, em média, apenas 45% dos domicílios nos assentamentos criados nesse período têm água e luz. ''Estão criando favelas na zona rural. Qualquer periferia do Brasil tem mais que isso'', afirmou.
''Reinventar a reforma agrária'' foi o tema abordado por Graziano no evento. Para ele, o modelo criado na década de 60, cuja proposta era a de redistribuir os latifúndios, não funciona mais. ''Melhorar a condição de vida das famílias, hoje, não é mais terra, é emprego'', argumentou. ''Qualquer política de requalificação profissional sai mais barato que reforma agrária'', acrescentou.
Graziano assegurou que, em média, 35% das pessoas que receberam terras da reforma agrária voltaram para as cidades. Ele acredita que boa parte das pessoas que está nos acampamentos de sem-terra é de desempregados urbanos e, por isso, o ''fracasso'' dos acampamentos. Para ele, não há a menor chance dessas pessoas se tornarem agricultors de sucesso. Graziano entende que o governo não tem como recuar e terá que distribuir terra. ''Mas mudar o processo e o modelo de assentamento'', afirmou.


