Buenos Aires, 09 (AE) - O secretário de Financiamento da Argentina, Miguel Kiguel, declarou à imprensa que o país precisará de US$ 3,7 bilhões para cobrir as necessidades financeiras até o fim do ano. Kiguel sustentou que o governo irá atrás de US$ 2,5 bilhões no mercado externo e de US$ 1,2 bilhão no mercado interno.
Segundo o secretário, que é o terceiro homem na hierarquia do ministério da Economia, o governo pretende obter metade do financiamento no exterior através de euros e a outra metade em dólares.
Kiguel viajou a Washington para conversar com banqueiros e investidores e analisar a possibilidade de conseguir esse financiamento antes que o Federal Reserve Bank (Fed) aumente as taxas de juros.
Kiguel também afirmou que além disso, em breve o governo estará recebendo fundos do Banco Mundial e do BID num total de US$ 2,5 bilhões. Segundo ele, pretende-se deixar financiamento para mais de um trimestre para o próximo presidente do país, cujo mandato começa em dezembro. Kiguel sustentou que a quantia seria de US$ 3 bilhões.
O secretário de financiamento também declarou que se preocupa com ajuste fiscal que será definido pelo Congresso até meados deste mês.
"Poderá ser muito light", lamentou, afirmando que o ajuste precisaria ser "mais contudente".
No meio da crise especulativa que preocupou a Argentina há menos de um mês, alardeou-se que a lei de conversibilidade fiscal seria votada no Congresso até meados de junho. No entanto
nem os parlamentares do governista Partido Justicialista (também conhecido por "peronista"), nem os deputados da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso estão chegando a um acordo. Um dos pontos de resistência por parte do governo é a restrição que a oposição quer aplicar à venda de ativos públicos.
"O peronismo não está em condições de ditar as regras de uma boa lei fiscal. Eles queimaram os US$ 45 bilhões conseguidos com as privatizações", atacou o deputado Rodolfo Terragno, um dos principais líderes da UCR. A discussão sobre a conversibilidade fiscal ficou adiada para quarta-feira da semana que vem.
Na semana passada, a Oposição conseguiu aprovar uma lei que obriga que o governo dê ao sistema previdenciário US$ 200 milhões por mês. O ministério da Economia contra-atacou propondo um projeto onde esse dinheiro seria obtido com uma contribuição pessoal extra ao sistema previdenciário, e que implicaria em uma redução salarial de 1% para os trabalhadores.

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