Secretário determina abertura de sindicância para apurar denúncia de médica estuprada contra policiais
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 08 (AE) - O secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, determinou hoje ao delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, a instauração de sindicância para apurar se houve negligência por parte de policiais civis de Guarulhos, na Grande São Paulo, que duvidaram da queixa da médica M.N.S., de 30 anos. Ela foi sequestrada e estuprada na noite de 9 de setembro, pelo administrador de empresas Mauro Lopes, de 41. Por insistência da vítima, que procurou Lopes durante 17 dias, ele foi preso.
Petrelluzzi leu reportagem distribuída, ontem, pela Agência Estado, na qual a médica declara sua revolta com o tratamento recebido na Delegacia da Mulher de Guarulhos, cujas policiais não deram continuidade à investigação, e declarou que, se ficar comprovada a negligência, as envolvidas serão processadas e poderão ser demitidas dos quadros da Secretaria da Segurança. Para o secretário, é inadmissível que policiais não adotem providências diante de um fato tão grave.
A médica cruzou com o Palio cinza do estuprador, na Rodovia Fernão Dias, após 17 dias de busca. Anotou a placa (CSV-4857) e informou a Delegacia da Mulher, dia 27. "Foi um ato covarde que aquele homem fez comigo e não merecia ficar impune". Segundo M., as investigadoras ficaram com a placa do carro por dez dias e nada fizeram. "Sempre que procurava por informações, me tratavam mal".
O administrador de empresas está numa cela do 81.º Distrito Policial, no Belenzinho, em São Paulo. Estava com prisão administrativa decretada por 90 dias, em razão de um processo cível. Lopes confessou ter estuprado a médica e outras duas mulheres em Guarulhos, e é suspeito de ter violentado mais cinco. Teve também sua prisão preventiva solicitada ao Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), pelos casos de estupro. Absurdo - A médica continua revoltada com as policiais de Guarulhos. "Ficaram me enrolando, duvidaram das informações e a chefe das investigadoras chegou ao absurdo de dizer que o estuprador seria um ex-namorado e eu estava tentando me vingar dele". Levada por um amigo ao Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), no Carandiru, na quarta-feira, para a elaboração de um retrato falado, a médica foi atendida pelo delegado Edson Santi.
"Quando disse ao delegado que tinha a placa do carro do estuprador, ele imediatamente ouviu a minha história e mandou levantar o endereço e, no começo da noite, fomos para o bairro onde o homem mora". Ontem, às 5h30, a médica e os investigadores voltaram a Guarulhos. Ficaram próximo da casa do administrador de empresas. Quando ele saiu de casa, dirigindo o Palio, por volta das 7h30, ela teve a certeza de que se tratava do estuprador. Lopes foi preso. "Se não encontrasse a boa vontade do delegado Santi, o monstro ainda estaria solto".
A médica disse que, na noite do crime, seguia pela Dutra
com destino a Guarulhos, quando Lopes, que dirigia o Palio, a avisou de que um dos pneus de seu carro, um Astra, estaria furado. "Parei para ver e, em seguida, ele encostou seu carro, disse que estava armado e mandou eu entrar no Palio". A médica teve os olhos vendados por uma fita adesiva. "Eu treino defesa pessoal, pensei em atacá-lo, mas como ia saber se ele estava blefando quanto à arma?" Vítimas - Hoje, seis mulheres ligaram para o Depatri, dizendo terem sido estupradas por Lopes. Comprometeram-se a oficializar o reconhecimento, segunda-feira. Também as duas mulheres que Lopes confessou ter violentado em Guarulhos ficaram de comparecer ao Depatri.


