Guarujá, SP, 31 (AE) - O secretário nacional anti-drogas
Walter Mairovich, defendeu hoje, durante o 44.o Congresso Estadual de Municípios, no Guarujá (SP), a ação efetiva e cooperada dos organismos de combate ao narcotráfico do Brasil e dos países vizinhos. Ele anunciou para 22 de maio uma reunião com autoridades bolivianas com o objetivo de fechar acordo de atuação conjunta. Sua preocupação é que a Bolívia está se integrando ao mercado de drogas.
"Ela produzia cocaína de baixa qualidade, mas agora está misturando à do Peru e já está processando a droga e mandando para o Brasil." Por outro lado, brasileiros estão fornecendo os insumos necessários a esse processamento. "Por isso, o conceito de responsabilidae compartilhada é o que deve ser adotado por todos os atingidos pelo problema".
Falando aos prefeitos e vereadores presentes ao Congresso da Associação Paulista de Município, que será encerrado amanhã (01), ele defendeu a realização de um pacto contra as drogas com as prefeituras de todo o País, ação que deverá ser iniciada em junho. Até lá, o governo federal vai formar agentes multiplicadores e concederá bolsas aos indicados pelas cidades. "Essa questão afeta a todos e essa cooperação é basica."
O secretário defendeu ação para conter o narcotáfico e revelou que, ontem (30), retornou de La Paz, com escala em Santa Cruz de La Sierra. "O avião veio lotado e, ao chegar a São Paulo, não houve qualquer fiscalização". Ele admite, porém, que a maior porta de entrada e saída de drogas do País é o porto de Santos e que a fiscalização se torna difícil pelo volume de contêineres ali operados.
Por isso, Maierovich defende a utilização dos serviços de inteligência no combate ao narcotráfico e também a possibilidade de infiltração de policiais junto aos traficantes, como acontece em outros países.
"O melhor sistema de combate ao narcotráfico em portos é feito na Alemanha e os agentes chegam aos contêineres suspeitos mediante investigações, checagem de rota dos navios, conversas que escutam e outras práticas que deram certo". Maierovich reconhece a impossibilidade de abrir muitos contêineres e revelou que as autoridades alemãs contam com gigantescos skanners, utilizados apenas em casos de suspeita.
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, que também participou do Congresso hoje, discorda de Maierovich quanto a infiltração de policiais nos meios ligados ao narcotráfico. "É um risco que não se justifica", disse ele, ressaltando que essa atividade é desenvolvida em países em que o juiz e o promotor conduzem as investigações. "Nesse caso, eles autorizam seus agentes a se infiltrar, guardando o mais completo sigilo". Já no Brasil, Dias entende que isso não é possível, pois os traficantes decobririam rapidamente o policial infiltrado.
Dias entende que os portos de Santos, Rio de Janeiro e Vitória são os mais utilizados pelos narcotraficantes e anunciou que seu ministério está liberando dois helicópteros para trabalhar na fiscalização no cais santista e carioca. Anunciou também que a Polícia Federal deverá passar por uma grande transformação nos próximos anos e que o governo irá investir US$ 480 milhões nessa reestruturação. "Só na amazônia serão instaladas mais 50 delegacias da PF", anunciou, revelando que elas não passam de dez, atualmente, naquela região.

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