Secretário de Segurança do RJ afasta dois policiais sob suspeita
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domingo, 19 de março de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo e Wilson Tosta 
Rio, 20 (AE) - O secretário estadual da Segurança do Rio de Janeiro, coronel Josias Quintal, decidiu hoje à tarde afastar os detetives Fernando César Barbosa, lotado na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e José Carlos Guimarães, considerado braço direito do chefe da Polícia Civil, delegado Rafik Louzada. Rafik e os dois policiais são citados em 2 das 19 denúncias levadas pelo ex-coordenador de Secretaria e Cidadania Luiz Eduardo Soares ao Ministério Público.
"A partir de amanhã, certamente, eles não estarão mais trabalhando, pois serão afastados", afirmou Quintal. O secretário disse, porém, que o chefe da Polícia Civil continuará no cargo. "A citação referente ao delegado Rafik é muito superficial e precisamos apurá-la, mas, se no decorrer da investigação obtivermos indicíos mais fortes, vamos afastá-lo também", afirmou.
Segundo uma das denúncias apresentadas pelo ex-coordenador da Segurança, Rafik, Guimarães e Barbosa teriam comprado, nos últimos seis meses, três franquias de uma rede de lanchonetes, a R$ 500 mil cada uma. Na outra denúncia, Rafik e Guimarães aparecem como supostos beneficiários de extorsão ao traficante Lobão, da Favela da Rocinha, no valor de R$ 220 mil, em janeiro passado.
Sigilo - Rafik disse à reportagem que as denúncias são "mentirosas". "Se a comissão quiser pode quebrar meu sigilo bancário, fiscal e telefônico", disse o chefe da Polícia Civil. Ele preferiu não comentar a decisão de Quintal de afastar os dois detetives. Barbosa não quis falar sobre o assunto. Guimarães não foi encontrado para comentar as acusações.
Comissão - Na primeira reunião, hoje, a comissão especial que apura a corrupção na polícia fluminense - formada por dois delegados, dois oficiais da PM e dois integrantes do Ministério Público - decidiu afastar dois policiais civis e transferir outros dois. Quintal, que preside os trabalhos do grupo, não quis confirmar se os detetives Barbosa e Guimarães estariam na lista.
O secretário negou envolvimento de um terceiro policial no caso, o detetive José Luís Magalhães, também suspeito de integrar da "banda podre" da Polícia Civil, denunciada pelo ex-coordenador. Quintal lembrou que Magalhães já está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil em um caso de suposta extorsão a integrantes do grupo do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em Mato Grosso do Sul.
Deputados da CPI do Narcotráfico, liderados pela pefelista Laura Carneiro, participaram da reunião da comissão especial, que durou cerca de cinco horas. Segundo Laura, até o fim da semana, a CPI enviará ao Ministério Público do Rio duas fitas com registros de vários telefonemas dados de um celular que pertenceria a Fernandinho Beira-Mar. "São conversas entre ele e policiais do Rio", afirmou o deputado Wanderley Martins. Nas ligações o traficante é tratado por "chefe" pelos supostos policiais.


