Rio, 18 (AE) - O secretário de Segurança do Rio, coronel Josias Quintal, disse hoje que o assalto ao Banco do Brasil poderia ter sido evitado se o banco tivesse um bom sistema de segurança. "É inadmissível que o alarme toque em São Paulo, quando a 100 metros da agência fica o Centro de Operações da Polícia Militar", disse Quintal, que revelou o nome de dois suspeitos, identificados pelo retrato-falado. Um deles é o assaltante de bancos Cléber de Barros Mendes, o Cléber Negão, procurado pelo roubo à Sul América Seguros, em abril do ano passado, e por crimes em São Paulo e no Espírito Santo.
Durante o assalto de domingo, em que 20 homens passaram sete horas dentro do banco arrombando cofres particulares, o alarme soou três vezes na sede da empresa de segurança, em São Paulo. Um funcionário ligava para o banco e era atendido pelo supervisor de segurança Alexander Machado Campos, obrigado pelos criminosos a dizer que tudo corria bem.
"Os donos de banco não têm prejuízo com os assaltos, porque o seguro cobre os valores", afirmou o delegado da Delegacia de Roubos e Furtos, Márcio Franco. "Vivemos uma briga com os bancos para que reforcem a segurança". Na quinta-feira passada, durante uma reunião com representantes da Federação Brasileira de Bancos, o secretário cobrou "atitudes enérgicas". Franco enumera os principais problemas das agências no Rio: sistema de câmaras que não grava; portas detectoras de metais que não funcionam ou a ausência desse mecanismo; sistema de alarme falho.
O delegado investiga a denúncia de que o assalto teria sido cometido pelo traficante conhecido como Baby, do Morro do Alemão, na zona norte. "A hipótese é remota", disse Franco. Além de Cléber Negão, que fugiu da 26ª DP no ano passado e é considerado o chefe da quadrilha, a polícia está à procura de Nelison do Nascimento, identificado pelo retrato-falado feito pelo supervisor.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa colocou hoje advogados à disposição das 108 pessoas que tiveram os bens roubados no assalto. A gerência do Banco do Brasil informou que não pode ressarcir seus clientes, já que eles não declaram os valores do que é guardado no cofre quando o alugam. "Os bancos têm mecanismos de se precaver dos assaltos e se estes são falhos não é o consumidor que deve pagar por isso"
disse o presidente da comissão, deputado átila Nunes (PSB).

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