Secretário de Governo evita confronto com a Câmara
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 24 (AE) - O secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, tentou hoje controlar o confronto direto com a Câmara Municipal de São Paulo. Na quinta-feira, o secretário municipal de Comunicação Social, Antenor Braido, criticou a demora do Legislativo em aprovar projetos de "interesse da cidade". As críticas foram feitas minutos depois de encerrada a sessão na Câmara, quando mais uma vez os vereadores não aprovaram nada. A desculpa dos governistas, que depois de várias conversas e reuniões haviam decidido votar pelo menos oito projetos do Executivo, foi de que recuaram por causa da resistência do vereador Dito Salim (PPB) em retirar o projeto de lei que cria o Dia do Amigo na cidade.
Uma ala do "bloco governista" considerou que a aprovação desse projeto resultaria em "manchetes" negativas na imprensa. Salim não concordou e disparou palavrões contra os seus companheiros de parlamento. O vereador Bruno Féder (PTB) admitiu que a Câmara está lenta, mas lembrou que nunca houve uma Prefeitura tão "inoperante" na história da cidade de São Paulo. Féder criticou diretamente Braido, chamando-o de "inoperante, inábil" e "responsável pela rejeição do prefeito Celso Pitta".
De acordo com Meinberg, o relacionamento com a Câmara é "harmonioso" e os poucos problemas que têm ocorrido são devido às ausências de vereadores da base governista. "Como há alguns vereadores licenciados, a margem numérica está justa, mas isso é circunstancial e não nos preocupa", afirmou. Féder cobrou hoje uma posição oficial de Meinberg sobre as críticas feitas por Braido. Ele disse que vai cobrar uma posição oficial do governo em plenário na sessão de terça-feira, porque do contrário estará confirmado que as críticas têm o aval de Pitta. Desistência - A bancada municipal do PTB informou hoje a Meinberg que não mais indicará o secretário municipal da Habitação e do Desenvolvimento Urbano. Os vereadores argumentaram que preferem o atendimento político do que manter uma secretaria. Em conversas reservadas, os parlamentares temiam manter um secretário sem poder - os demais cargos permaneceriam controlados pelo Executivo - e correriam o risco de, no caso de qualquer denúncia de irregularidade, serem responsabilizados pelo governo.
Meinberg disse que o fato de a bancada do PTB ter desistido da indicação não altera em nada a composição política na Câmara. "O PTB continua sendo nosso parceiro político, como sempre foi", afirmou. O prefeito Celso Pitta (PTN) reagiu de forma laconônica ao ser informado da recusa da bancada do PTB: "E daí?!".


