Secretário de Agricultura de SP pede estímulo ao agronegócio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 02 (AE) - O secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, disse hoje ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, que o setor de agronegócios é um dos poucos com condições de responder, no curto prazo, à necessidade de aumentar as exportações e de gerar empregos.
Para tanto, quer prioridade na análise dos problemas da cadeia produtiva do setor dentro do Programa Especial de Exportações (PEE) - conduzido pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e que pretende elevar as exportações do País a US$ 100 bilhões em 2002 - e diversificação das fontes de financiamento para que o setor tenha acesso, por exemplo, ao mercado de capitais.
Meirelles disse que o ramo de agronegócios, em função do calendário agrícola, não pode esperar uma solução global dentro do PEE que estimule o aumento da produção e das exportações. Como exemplo, disse que os produtores que estão colhendo a atual safra primavera/verão (soja, milho e arroz), estimada em 82 milhões de toneladas, e que seriam beneficiados pela desvalorização cambial, já estão sendo pressionados pelos importadores americanos a venderem seus produtos mais baratos, sem seguir a atual cotação do dólar frente ao real. "Isso demanda uma ação imediata, para que os produtores não percam a chance de obter bons preços no mercado externo", afirma.
Da mesma forma, Meirelles lembrou que os produtores interessados em plantar a próxima safra precisam de novas fontes de financiamento, incluindo, por exemplo, a chamada venda a futuro. Nessa sistemática, o produto é vendido para entrega futura, lastreado por mecanismos de seguro que garantem a sua efetiva entrega no prazo determinado. Essas vendas futuras, segundo ele, também permitiriam a captação de recursos no mercado de capitais, dando maior condições de capitalização ao setor. "Os financiamentos do Banco do Brasil estão obsoletos e não estimulam a produção", afirmou.
O secretário da Agricultura de São Paulo também solicitou o empenho do ministro Celso Lafer na criação de uma legislação que faça com que o produtor nacional tenha acesso aos padrões mundiais de certificação de qualidade. Segundo ele, a Organização Mundial do Comércio (OMC) tem três órgãos de referência no setor agrícola: um que controla as doenças animais; um que regula a produção de alimentos; e outro que se refere à proteção de plantas. Nenhuma das regras desses três setores tem tradução no Brasil o que, portanto, impede que o produtor nacional tenha acesso as exigências do mercado internacional para vender seus produtos.
Meirelles disse ainda ao ministro que é preciso investir para agregar valores na cadeia produtiva do setor agrícola. Isso significa que além da soja e do milho, por exemplo, que são exportáveis, é preciso investir na produção de frango e de carne suína, que dependem desses dois segmentos para se desenvolver. Segundo ele, se isso for feito, toda a cadeia produtiva poderá melhorar seus resultados, gerando mais exportação e empregos, especialmente no meio rural.


