Teresina, 26 (AE) - O secretário de Administração do Piauí, Magno Pires, foi intimado a depor amanhã (27) na Polícia Federal (PF). Ele deverá esclarecer porque foram feitas 527 contratações de servidores sem concurso, em junho e agosto de 1998, período em que a lei eleitoral proíbe admissões no serviço público.
A intimação do secretário foi feita a pedido do procurador da República Tranvavan Feitosa, que pediu abertura de inquérito policial para saber se houve crime eleitoral. O procurador pediu também uma auditoria na folha de pagamentos do governo estadual e quer que todas os nomeados no período eleitoral sejam ouvidos pela PF.
Hoje, o governador Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, disse que as denúncias de contratações ilegais são infundadas. Segundo ele, os contratados ocupam cargos de confiança. "Existem 9 mil cargos comissionados na estrutura da administração pública; eu fiz as contas e descobri que ainda posso nomear 2.600 pessoas", afirmou Mão Santa, que vai manter Pires no cargo.
O deputado estadual Leal Júnior, líder do PFL na Assembléia Legislativa, afirma que "as nomeações são ilegais, porque nenhuma delas foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE)". Ele acusa o governo de ter usado os cargos como moeda de troca para conseguir apoio de políticos do interior do Piauí ao governador, em 1998, quando Mão Santa disputou e venceu a eleição contra o senador Hugo Napoleão, atual líder do PFL no Senado.

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