São Paulo, 14 (AE) - Passava das 9 horas quando o Mercedes preto levando o novo secretário municipal de Administração de São Paulo, Marco Aurélio Oliveira Abreu, e três assessores deixou a garagem de sua casa na Rua Quintana, no Brooklin. De terno azul marinho, camisa branca, gravata escura, Abreu estava preparado para o dia mais importante de sua vida. Representante de uma legenda nanica, o Partido Trabalhista Nacional (PTN), assumiria seu primeiro cargo no Executivo em uma cerimônia de gala na Prefeitura.
O carro havia andado poucos metros quando uma caminhonete Blazer, da Divisão de Capturas, fechou-lhe a frente. Dois policiais desceram. Um deles aproximou-se do vidro e perguntou: "Marco Aurélio Oliveira Abreu é o senhor?" Em seguida, comunicou em tom seco. "Temos um mandado de prisão em seu nome; viemos buscá-lo."
No dia mais importante de sua vida, o administrador de empresas Abreu, de 43 anos, entrou para a história da política paulista como o secretário que foi preso antes da posse. A reação do ex-futuro secretário seria descrita horas depois pelo investigador Alexandre Cavalcante: "Ele tremeu todo e falou pelo amor de Deus".
Abreu passou a tarde numa cela de delegacia e começou a noite dando explicações a uma juíza. Seu erro foi não atender a uma intimação para se apresentar na 5.ª Vara Cível e explicar as causas da falência de sua empresa - Exame Comércio Exterior Ltda. - conforme exige o artigo 34 da Lei de Falências. A falência da Exame fora requerida em 25 de junho de 1997 pela Madri Pisos e Revestimentos, em razão de débito de R$ 3.461,60.
Infinitamente maiores do que o prejuízo financeiro, foram as consequências políticas e emocionais para a família Abreu. Filho de Dorival de Abreu, ex-secretário de Administração no governo do prefeito Jânio Quadros, Marco Aurélio estava transtornado na sala para onde foi inicialmente recolhido, no Departamento de Investigação Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri).
Suava, andava de um lado para o outro, fumava, bebia um copo atrás do outro de água. Falava compulsivamente ao celular. "Olha, avisa o prefeito que eu não vou assumir", dizia a um interlocutor não identificado que falava do Palácio das Indústrias. Do outro lado da linha, o ambiente era de constrangimento).
Quando terminava uma conversa, o celular logo tocava de novo. "Eu não sabia de nada, não fui intimado, nem citado, nem avisado", explicava. "As retaliações começaram antes mesmo de eu sentar na cadeira." Suas explicações sobre o ocorrido foram dadas em seguida, numa entrevista coletiva. De uma só vez, Abreu considerou-se vítima de uma armação - segundo ele, feita pelo ex-secretário Renato Tuma e seu sobrinho, o delegado Romeu Tuma Junior (que ordenou o cumprimento do mandado de prisão) - e revelou que sua futura secretaria abriga um enorme esquema de corrupção, envolvendo "empreiteiras e filhos de políticos".
À noite, o prefeito Celso Pitta (PTN) nomeou seu ex-secretário de Finanças José Antônio de Freitas para responder pela administração até que o caso Abreu seja resolvido.

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