O secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que os problemas na Fazenda Santa Maria Agropecuária, em Santa Cruz do Monte Castelo, no Noroeste do Paraná, foram ocasionados pela resistência das famílias que ocuparam a área. De acordo com ele, os sem-terra fizeram um bloqueio na fazenda e os policiais usaram uma bomba de efeito moral para desmobilizar o protesto. ‘‘Na hora em que a bomba explodiu, muitos sem-terra correram para o mato e dois acabaram se machucando’’, explicou Oliveira.
Segundo ele, José Santeiro e Antonio Carlos Canassa tiveram ferimentos leves na perna e no pé e foram atendidos por médicos da região. Na Fazenda, foram presos sete sem-terra, encaminhados para a Delegacia de Paranavaí. Todos foram submetidos a exames de lesões corporais para comprovar que não sofreram qualquer tipo de agressão. ‘‘É importante termos a certeza de que os sem-terra não foram agredidos para que as desocupações continuem ocorrendo com tranquilidade em todo o Estado’’, afirmou.
Nas duas fazendas desocupadas por volta das 6 horas de ontem, segundo o governo, a polícia apreendeu três espingardas, duas escopetas, cinco facões e dois canivetes. As cerca de 100 famílias que estavam assentadas nas fazendas foram conduzidas por ônibus fretados pelos proprietários para as suas cidades de origem. Cerca de 180 policiais militares continuam na região para evitar futuros conflitos.
De acordo com dados da Secretaria, o Paraná tem, atualmente, 75 fazendas ocupadas por sem-terra, 39 delas com mandado de reintegração de posse. ‘‘Não pretendemos parar as desocupações, onde tiver resistência será cumprida a lei’’, declarou Oliveira.

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