Secretário dá ordem para PM despejar sem-terra
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 26 (AE)- O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, determinou hoje que a Polícia Militar as 180 famílias que ocupam desde o ano passado a fazenda Taba, na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém. Os sem-terra são ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e prometem resistir. Outras 200 famílias acampadas na fazenda Mari-Mari, na mesma ilha, também serão retiradas pela PM. Um oficial informou que a operação militar para a retirada dos sem-terra será planejada e executada nos próximos dias.
Sette Câmara disse que a Justiça já havia concedido mandado de reintegração de posse em favor dos proprietários das duas fazendas. Ele afirma ter tentado uma saída negociada com o MST, mas o movimento se manteve "irredutível, rejeitando qualquer negociação"."Segurei o que pude, mas agora a minha tolerância com o MST chegou ao limite. A lei será cumprida pela força policial o mais rapidamente possível", disse o secretário.
Sette Câmara mostrou laudos de técnicos de vários órgãos dos governos federal e estadual e um relatório da Comissão de Mediação de Conflitos Fundiários desaconselhando o assentamento das famílias nas duas fazendas porque o solo seria inaproveitável para a agricultura.
Em nota distribuída hoje, o MST promete resistir ao despejo. O movimento diz que rejeita o laudo dos técnicos do governo, acrescentando ter estudos da prefeitura de Belém que comprovam a fertilidade do solo das fazendas para o plantio, além da existência de culturas de feijão, milho, hortaliças e frutas.
"Se a PM praticar violência contra os trabalhadores o responsável será o secretário Sette Câmara e o governador Almir Gabriel", avisa o MST. O comandante-geral da PM, coronel Faustino Neto, não foi localizado para comentar a decisão do secretário.


