Salvador, 21 (AE) - O secretário da Indústria e Comércio da Bahia, Benito Gama, retornou hoje do Rio Grande do Sul, onde participou de reuniões com empresários dos setores calçadistas, moveleiro e de vinhos, com o objetivo de tentar os atrair para o Estado.
Gama e outros representantes do governo baiano mantém contatos com empresários gaúchos há pelo menos três anos.
Desde esta época, atraídas pelos incentivos fiscais, várias fábricas de calçados decidiram trocar os pampas pelo sertão. O pólo calçadista baiano conta com 40 empresas, das quais dez estão produzindo. São marcas famosas como Piccadilly, Azaléia, Daiby e Sisa, única fábrica brasileira a produzir couros e forros sintéticos à base de poliuretanos. A indústria é resultado de uma joint venture formada pela Azaléia, Paquetá, Reichert, Schimdt e a italiana Sisa.
Nessa recente visita ao Rio Grande do Sul, Gama foi tratar de detalhes no processo de instalação das novas unidades do pólo calçadista. Ele manteve encontro também com o empresário Antonio Salton, da Vinícola Salton, que manifestou interesse de construir uma fábrica de vinhos num dos projetos irrigados de Juazeiro, onde há anos se produz uvas tipo exportação.
Com diretores da Móveis Chalisê, Gama sugeriu como oportunidade de negócios o Sul da Bahia para aproveitar a matéria-prima da maior serraria da America Latina, instalada em 1999 em Nova Viçosa - a Aracruz Produtos de Madeira.
O secretário de Indústria e Comércio da Bahia preferiu não dar entrevistas ao retornar a Salvador, mas, por meio da Assessoria de Imprensa, avisou que a estratégia do governo baiano vai continuar, mesmo porque, argumenta, São Paulo concentra quase 40% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), equivalente a mais de três vezes o PIB dos nove Estados nordestinos juntos.
Quanto às criticas dos governos gaúcho e paulista à ação agressiva da Bahia, o governador César Borges (PFL), numa solenidade realizada ontem (20) à noite em Salvador, voltou a rebatê-las. Ele tachou de "caolha" a visão do governo do Rio Grande do Sul, que não estaria "atendendo à população, pois não tem conseguido levar qualquer esperança aos gaúchos". Sobre as medidas de salvaguarda do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), Borges entende que a ameaça de sobretaxar produtos de Estados que concedem incentivos fiscais não é guerra, mas "terrorismo fiscal".

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