Secretário da Habitação de SP pede exoneração
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domingo, 28 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São paulo, 29 (AE) - O responsável pela instituição do Projeto Cingapura, o engenheiro Lair Krahenbuhl (PPB), pediu hoje exoneração em caráter irrevogável do cargo de secretário municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano por causa da crise político-administrativa que ameaça tomar conta da Prefeitura. A decisão, anunciada e comunicada cinco dias depois de o prefeito Celso Pitta (sem partido) deixar o PPB e romper politicamente com o presidente nacional do partido, Paulo Maluf, oficialmente foi tomada para "deixar o prefeito mais livre para as novas alianças políticas", mas Krahenbuhl já estava descontente havia alguns meses com a falta de uma diretriz política e administrativa consistente.
Krahenbuhl, que comunicou e entregou a carta de exoneração ao prefeito hoje à tarde, foi responsável pelo principal programa social do governo Maluf e uma das grandes bandeiras eleitorais da campanha de Pitta. Ele era um dos dois únicos secretários da era malufista que sobreviveram ao distanciamento entre o prefeito e Maluf, após a sua derrota na campanha de 1998. O outro remanescente é o secretário da Cultura
Rodolfo Konder.
O pedido de demissão começou a ser cogitado por Krahenbuhl no dia em que a Agência Estado divulgou a entrevista na qual Maluf afirmou "não ter nada a ver com a administração municipal". A possibilidade ganhou corpo com a decisão de Pitta deixar o PPB e definitivamente decidida no domingo, quando Kranhenbuhl leu a entrevista do prefeito ao jornal "O Estado de S.Paulo", na qual diz acreditar que ao sair de seu partido poderá atrair alianças com partidos de centro-esquerda. Como Krahenbuhl é filiado ao PPB, provavelmente sentiu-se ainda mais isolado dentro do governo municipal com o rompimento de Pitta com o PPB.
O ex-secretário negou que a sua demissão signifique uma adesão explícita a Maluf. Ele, que foi substituído pelo ex-secretário da Família e do Bem-Estar Social e presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), Deniz Ferreira Ribeiro, chegou a ser aconselhado por seus assessores políticos a sair do PPB, mas achou melhor permanecer no partido por enquanto.
Ao ser indagado pela reportagem se era malufista ou pitista, Krahenbuhl saiu-se com uma resposta "tucana": "Eu sou por São Paulo". Descontentamento - O descontentamento de Krahenbuhl não é recente e aumentou no fim do ano passado, quando vereadores da base governista e o próprio governo cogitaram aumentar investimentos nos mutirões. O ex-secretário da Habitação e de Desenvolvimento Urbano não critica os mutirões, mas afirma que o Projeto Cingapura é a melhor solução para erradicar as favelas. Isolamento político - Ao deixar o PPB, Pitta perdeu a sua principal defesa política. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deve investigar se Pitta foi omisso em relação às irregularidades levantadas pelos policiais e pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Distante do PPB, Pitta agora deve enfrentar dificuldades para manter a sua base de apoio parlamentar. Ele já afirmou que eventuais perdas poderão ser compensadas com alianças de centro-esquerda. Na prática, a situação Pitta é mais complicada do que parece. Ele está perdendo o apoio que tinha dos principais partidos.


