Secretário contesta denúncias sobre Vila Rural de Ponta Grossa
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário especial de Habitação do Estado, Rafael Dely, que acumula o cargo de diretor-presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), classificou como ''estranhas e com evidente fundo político'' as denúncias feitas na semana passada por um fórum de organizações civis que apontou uma série de irregularidades estruturais e superfaturamento da compra do terreno da Vila Rural Bocaina II, em Ponta Grossa. ''Este é um ano eleitoral. Por que só agora aparecem essas denúncias?'', questionou ele. As denúncias foram feitas ao Ministério Público e a técnicos do Banco Mundial (Bird), que financia o programa no Paraná. A Cohapar aguarda para os próximos dias a notificação oficial do Bird para se manifestar.
O diretor do Departamento Rural de Economia e Agricultura (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Richardson de Souza, negou que tenha havido superfaturamento na compra do terreno. Ele disse que pegou os estudos de aptidão de área, reservas e áreas de preservação do terreno e fez uma investigação de preço nas imobiliárias e cartórios da região para chegar ao preço estipulado para a compra do imóvel que tem 23,87 hectares. O valor avaliado foi de R$ 88,7 mil. ''Compramos pelo nosso preço avaliado, sem qualquer centavo a mais'', declarou Souza.
O diretor técnico da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Rural (Emater-PR), José Geraldo Alves, disse que havia verificado a área antes da compra e constatou que o terreno produziria normalmente alimento de subsistência como trigo, soja e aveia. A Vila Rural Bocaina II tem atualmente 20 moradores, três lotes estão vazios. A vila está funcionando há sete meses. O programa Vila Rural prevê que os vileiros morem no local por 30 meses, pagando uma taxa de R$ 18,00. Após este período, cada caso é avaliado e os vileiros ganham aprimoramento técnico e começam a pagar o financiamento do imóvel, de R$ 35,00 por mês.
Dados da Emater demonstram que os vileiros recebem cerca de 2,18 salários mínimos de renda adicional por ano após a implantação do programa e deixam de gastar R$ 81,00 com alimentação. Até hoje, o Paraná 12 Meses já desembolsou R$ 11,3 milhões para o aparelhamento de 412 vilas rurais. Outras 1,2 mil famílias receberam R$ 623,1 mil em 62 propostas de desenvolvimento de renda nas vilas rurais.


