Rio, 21 (AE) - O secretário municipal de Desenvolvimento Social do Rio, Carlos Augusto de Araújo, afirmou hoje considerar insuficiente a adoção do toque de recolher na capital fluminense - a exemplo do que vem acontecendo no Recife - para resolver o problema dos menores de rua. Há pouco mais de duas semanas o Juizado da Infância e da Juventude do Recife instituiu o toque de recolher nas ruas da cidade determinando que, após as 21 horas, sejam retirados das ruas menores sozinhos que estejam mendigando ou prestando pequenos serviços. O assunto está sendo analisado pelo secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori.
Segundo cálculos da secretaria carioca, cerca de 400 crianças e adolescentes vivem nas ruas do Rio. Araújo estima que apenas um terço desses jovens que passam os dias perambulando pela cidade durma ao relento. "A grande maioria volta para sua casa, que, normalmente, fica no subúrbio e até em municípios vizinhos", disse. Para ele, o toque de recolher é uma iniciativa que deve ser aliada a outras medidas para assistir os menores. "Numa cidade menor, como o Recife, pode até funcionar, mas no Rio é preciso fazer um trabalho mais intensivo".
Segundo o secretário, o número de menores que dormem nas ruas do Rio vem diminuindo ano a ano. "Os jovens se concentram nos bairros da zona sul, onde há presença de turistas e maior movimento noturno", disse Araújo. "Nas áreas mais pobres, não se vê grande quantidade deles após as 22 horas, horário normalmente estipulado para o toque de recolher". Estudo - A secretaria mantém 52 abrigos onde dormem jovens que não têm família ou dinheiro para voltar para casa depois de trabalhar - normalmente como vendedor de balas, engraxate ou lavador de carros. São assistidas ainda 2.860 crianças e adolescentes, que recebem cesta básica de R$ 63 para deixar o trabalho e voltar a estudar. "Nós os devolvemos aos pais ou, caso sejam órfãos, os levamos para os albergues, onde aprendem profissões e participam de oficinas para desenvolver aptidões artísticas", explicou o secretário.
O fim da exploração da mão-de-obra infantil é, atualmente, a principal missão da secretaria, de acordo com Araújo. Por causa disso, quatro equipes se revezam 24 horas por dia na assistência aos menores, e denunciam ao Juizado de Menores famílias que obrigam as crianças a trabalhar. "Essa é nossa maior preocupação, já que, para exterminar esse quadro, é preciso realizar um trabalho permanente", disse. Gregori deve se reunir com autoridades do Recife em quatro meses para avaliar os resultados do toque de recolher. Caso eles sejam satisfatórios, o secretário irá estudar a possibilidade de estender o projeto para outras cidades brasileiras.

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