Secretário argentino diz que o Mercosul está "agonizando"
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quinta-feira, 12 de agosto de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 13 (AE) - O secretário (equivalente a ministro) da Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, disse hoje que o Mercosul está "agonizando", mas acredita que ainda é possível salvá-lo, se os sócios se comprometerem a fortalecê-lo institucionalmente. Em entrevista à Rádio Mitre, de Buenos Aires
Guadagni disse estar confiante de que, desta vez, o Brasil entenda a posição argentina e que ela não seja interpretada unicamente como uma espécie de reivindicação protecionista.
"Acreditamos que a indústria e os setores produtivos, em geral, precisam sim ser submetidos a uma concorrência sadia, legítima e de longo prazo, mas não às oscilações bruscas e aos "bandaços" (variações da banda de flutuação) do tipo de câmbio. Podemos, inclusive, admitir até o desaparecimento de um setor produtivo, caso este não consiga competir, mas o que não podemos admitir é que ele desapareça de uma só vez, em apenas um semestre, porque alguém alterou artificialmente a competitividade em um 30% por um fenômeno monetário, fruto apenas de um problema fiscal."
Guadagni reconheceu que o Mercosul tem um problema muito sério. "Pressionados por uma crise muito séria e pelas fortes variações do câmbio, descobrimos que nossas instituições não estão preparadas para enfrentá-las", acrescentou. Para ele, o Mercosul precisa fortalecer-se, criando essas instituições e, com isso, evitar a intervenção pessoal dos presidentes ou dos ministros, já que isso acaba criando um desgaste muito grande para os países membros. "Temos de ter leis internas, algo como o que foi, em seu momento, o Tratado de Roma, da União Européia. Uma cláusula muito clara que indicava o que fazer quando os preços relativos, isto é, o tipo de câmbio, disparava", afirmou Guadagni.


