Secretário apóia previsão de superávit de US$ 253 milhões
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 26 (AE) - O resultado da balança comercial este mês será superavitário. A garantia é do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Mário Marconini. Segundo ele, os dados que serão divulgados na próxima semana indicam que o superávit da balança ficará próximo das projeções já feitas por analistas de mercado que estimam um resultado positivo de US$ 253 milhões. "A tendência é de superávit e ficará próximo do que prevê o mercado", afirmou o secretário.
Uma análise divulgada hoje por Marconini indica que, no segundo semestre deste ano, há grandes possibilidades de aumento nas exportações de manufaturados e de carne de frango. No caso dos manufaturados os destaques ficam por conta de aviões, por causa dos contratos recentemente assinados pelo país e do suco de laranja.
De acordo com o secretário, embora as commodities exportadas pelo Brasil tenham sofrido uma queda de preço em torno de 33%, o suco de laranja sempre manteve seu preço.
Outros dois aspectos também podem favorecer as exportações de suco de laranja. O primeiro deles é o fato do Brasil ter tido uma melhor safra que foi 17,5% maior que a do ano passado. Em segundo lugar, a queda na produção de concorrentes importantes como os Estados Unidos.
Ainda entre os manufaturados, está previsto que exportação de carne bovina industrializada também deve crescer com o aumento da demanda dos Estados Unidos e da União Européia por causa da redução da oferta argentina do produto.
No tocante à carne de frango, Marconini destacou que, depois da constatação de que houve contaminação dos produtos belgas, abriu-se maior espaço para as vendas do Brasil ao mercado europeu. As exportações do produto para o Oriente Médio também estão crescendo.
Nos produtos semimanufaturados e básicos, houve um aumento da receita, no primeiro semestre, de 54,6% na carne bovina, de 23,1% na carne de frango, de 13,9% em óleo de soja e de 13,8% no café em grão.
Importações - Comparadas com o primeiro semestre do ano passado, as importações realizadas no mesmo período deste ano registraram redução nos gastos com bens de consumo (29,1%), em combustíveis e lubrificantes (19,9%), matérias-primas e bens intermediários (16,5%).
A menor taxa de decréscimo foi apresentada pelos bens de capital com uma retração de 8,9% em relação ao primeiro semestre de 98. De acordo com o secretário, no entanto, apesar da redução nas compras de bens de capital, as aquisições de maquinaria industrial, que representam 40% das importações da categoria, registraram um aumento de 8,5%. "Isso indica a manutenção de investimentos na modernização da atividade produtiva", afirmou.
Na avaliação do secretário, ainda não dá para descartar a projeção constante do acordo assinado pelo Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) da balança fechar o ano com um superávit de US$ 3,7 bilhões. "Temos que aguardar o comportamento dos manufaturados, a reação das commodities e a retomada dos financiamentos", afirmou.
Em maio de 98, a média diária das contratações de ACC (antecipação de contratos de câmbio) eram de US$ 132 milhões. No mês de janeiro passado esta média havia caído para US$ 59 milhões. Em maio chegou a US$ 92 milhões e novamente caiu para US$ 82 milhões em junho.


