Secretário anuncia mutirão anticrack em São Paulo
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 08 (AE) - O secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, anunciou nesta quarta-feira (08) à noite que o combate ao tráfico de crack será prioridade dos policiais do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) e das Divisões de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) da Grande São Paulo e do interior a partir da próxima semana.
Ele informou que, para "dificultar a vida dos traficantes", os vendedores de crack ficarão todos recolhidos no mesmo presídio, na capital.
Segundo o secretário, o crack está ligado a crimes como assassinato, chacinas, assaltos seguidos de morte e roubos nos cruzamentos. "Se tivermos duas denúncias, uma de crack e outra de maconha, vamos primeiro apurar a do crack", disse.
Petrelluzzi reuniu-se no auditório do Palácio da Polícia, no bairro da Luz, região central, com delegados e investigadores especializados no combate ao tráfico e com os diretores dos demais departamentos da polícia. "Vamos ter uma política única de combate ao crack."
Cracolândia - Os vendedores de crack serão procurados com maior intensidade nas zonas sul e leste da capital e em Santa Ifigênia, região central, na chamada Cracolândia, mas o Denarc tem um levantamento dos principais pontos de venda de crack em bairros e favelas da capital. "Hoje o crack é o maior problema criminal de São Paulo e mexer com esta droga está dando muito lucro aos traficantes", afirmou o secretário.
Depatri - A partir da próxima semana, as pessoas presas e autuadas por tráfico de crack serão recolhidas na cadeia do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri).
A cadeia, de apenas duas janelas e sem área para o banho de sol de detentos, foi considerada pela Pastoral Carcerária uma "verdadeira masmorra."
Petrelluzi garantiu que o objetivo das autoridades é recolher os traficantes no pior presídio da secretaria. "Quando este lotar, vamos escolher outro nas mesmas condições."
Para evitar resgates, o presídio terá um esquema de segurança especial. Os visitantes também vão ser submetidos a revistas mais minuciosas que as habituais.Um detector de metais será instalado para impedir a entrada na cadeia de armas, celulares e serras. Colaboração - O secretário afirmou que o combate à droga em São Paulo não é exclusivamente da polícia. Segundo Petrelluzzi, é preciso que a Prefeitura, o governo federal e a Secretaria da Saúde também participem. "Precisamos acabar com o crack e devolver a cidade aos moradores."
Os policiais civis e militares vão se dedicar a combater o tráfico de pequena e média escala. "O problema do grande tráfico é com a Polícia Federal, que deve fiscalizar e policiar as fronteiras", disse.
O trabalho será intenso, adiantou o secretário. Ele admitiu que os recursos da secretaria são limitados, mas garantiu que todos os meios disponíveis serão destinados ao esforço conjunto contra o crack.
Os departamentos responsáveis pelas investigações de homicídios, furtos e roubos, deverão passar informações para o Denarc.
"Quem tiver indicações dos pontos-de-venda, dos traficantes ligados às quadrilhas de ladrões, de autores de chacinas e de vendedores de armas deverá passar as informações para que o Denarc e as Dise atuem", orientou Petrelluzzi.
Um grupo de policiais e outras pessoas relacionadas pela secretaria está estudando o efeito do crack. A conclusão do trabalho será repassada aos responsáveis pelo combate ao comércio da droga.
Os principais traficantes de crack já recolhidos nos distritos policiais e cadeias públicas estão sendo separados e vão ser encaminhados para o Presídio do Crack. "A vida deles não será confortável", garantiu o secretário.
Na próxima semana, Petrelluzzi vai se reunir com o alto comando da Polícia Militar e também com os comandantes dos batalhões da Grande São Paulo e Interior para apresentar-lhes o plano de caça aos traficantes.
Ele pretende reunir-se com o procurador- geral de Justiça do Estado, Luiz Antônio Guimarães Marrey, e com o comando do Tribunal de Justiça (TJ) para estudar meios de dar andamento mais rápido aos processos.
"Se possível, poderemos formar uma força-tarefa de policiais, juízes e promotores para acelerar os processos e garantir que as sentenças sejam aplicadas com rapidez."
O secretário afirmou que os pontos-de-venda de drogas da cidade tornaram-se verdadeiros supermercados, pois vendem maconha, cocaína, crack. A receita de Petrelluzzi para combater o problema passa ao largo de resultados rápidos e prevê a união crescente das polícias. "A droga em São Paulo, como no resto do mundo, está ganhando disparado da polícia e, se não houver um esforço conjunto, não teremos sucesso", afirmou.
Os delegados e investigadores do interior disseram que é grave o avanço do crack em muitos municípios. Por isso, haverá um intercâmbio entre o Denarc e as delegacias do interior com dados para a localização e prisão de traficantes.
Disque-Denarc - O secretário espera ainda bons resultados com a difusão do Disque-Denarc, criado na gestão do delegado Fernando Vilhena, na primeira gestão do governador Mário Covas. "As pessoas podem e devem dar informações dos traficantes de crack sem que se identifiquem."


