Barra Bonita, SP, 08 (AE) - O governador Mário Covas deve encaminhar, ainda esta semana, à Assembléia Legislativa o projeto que cria a Agência Reguladora de Transportes. O órgão será responsável pela fiscalização da área entregue à iniciativa privada, principalmente as concessionárias que administram rodovias, segundo revelou hoje o secretário estadual dos Transportes, Michel Zeitlin, em Barra Bonita, no interior do Estado, na reabertura para navegação da Hidrovia Tietê-Paraná. A atividade estava suspensa desde dezembro para manutenção das eclusas.
O secretário anunciou, também, que, nos próximos meses, outro projeto vai propor a fusão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Desenvolvimento Rodoviário de São Paulo (Dersa), Departamento Aeroviário (Daesp) e Departamento Hidroviário (DH). "O novo órgão tratará dos transportes de uma forma integrada e multimodal, fazendo com que todos se desenvolvam harmonicamente", disse.
Zetlin explicou que a fusão parte de um consenso dos dirigentes e técnicos dos próprios órgãos e deverá ser tratada como prioridade para que o setor de transporte tenha maior eficiência. Segundo ele, de certa forma, o trabalho conjunto já vem ocorrendo informalmente, e citou como frutos disso as recentes construções das estradas vicinais de acesso aos terminais hidroviários de Conchas e Pederneiras e a construção do terceiro trilho entre Bauru e Pederneiras, que possibilita a chegada de vagões de bitola estreita ao terminal hidroviário.
Acompanhado por técnicos das secretarias de Turismo e de Ciência e Tecnologia, Zeitlin comentou ter sido "bom" a hidrovia ser administrada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) na época de construção mas que, agora, entregue à Secretaria dos Transportes, ela terá administração específica para fomentar a área e, sempre que necessário, outras pastas e órgãos do governo serão chamados a colaborar.
Transporte - Nos últimos anos a Hidrovia Tietê-Paraná transportou pouco mais de 5 milhões de toneladas/ano, sendo 86% de cargas locais (pedra e areia para construção), 13% de soja e grãos e apenas 1% de outras cargas. Os técnicos estimam a capacidade de transporte do rio em até 20 mil toneladas/ano. "Nós estaremos permanentemente buscando as disponiblidades, cliente potenciais e novas cargas", disse. O secretário citou que um dos setores a priorizar é o de combustíveis que, transportados pelo rio, retirarão das estradas grande número de caminhões com carga perigosa. Também falou que deverá exigir das ferrovias privatizadas mais eficiência para reduzir custos de transbordo de cargas oriundas da hidrovia, pois um estudo revela que hoje há muita morosidade na operação casada entre os modais hidroviário e ferroviário e isso eleva o preço do transporte. Os empresários presentes à solenidade - a bordo do barco "San Marino", consideram positiva a passagem da administração da hidrovia para o Secretaria dos Transportes. Mas têm a preocupação de que as geradoras - hoje privadas - utilizarem toda a água do rio para gerar energia, prejudicando a navegação. Zeitlin disse já estar em entendimento com a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tiete - sucessora da Cesp na região - para garantir a manutenção do nível dos reservatórios mesmo nos períodos de estiagem. Quanto à periodicidade de manutenção das eclusas, que são fechadas em mais de um mês a cada dois anos, revelou a disposição de buscar nos Estados Unidos informações sobre o procedimento de manutenção a cada cinco anos e, se for possível, adotá-lo também no Tietê.

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