São Paulo, 01 (AE) - O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Jorge Roberto Pagura, pretende afastar os administradores do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, em Vila Maria, mantido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por má administração. Pagura alega que há leitos desativados, equipamentos em péssimas condições e o hospital, conhecido por Vila Maria, não está atendendo adequadamente a população.
O reitor da Unifesp, Hélio Egydio Nogueira, afirma que o problema só ocorre porque a Prefeitura não está repassando em dia a verba necessária para manter o hospital, de R$ 1.141.000,00 mensais. "O pagamento de novembro foi dividido em cinco parcelas e recebemos a última delas em 15 de janeiro", diz o reitor. "Nos últimos dois meses a universidade, que é federal, teve de transferir mais de R$ 300 mil para o hospital, mantido pelo município", informa.
Pagura diz que a Prefeitura não tem dinheiro e está tentando aproveitar da melhor forma os recursos. A proposta da secretaria é substituir os administradores atuais por um representante da Prefeitura e outro da universidade, que teriam, ainda, o acompanhamento de uma comissão formada por profissinais dos dois lados. Ele quer que a comissão acompanhe de perto a nova gestão para reorganizar o hospital. "Se a Unifesp não concordar, vou propor ao prefeito Celso Pitta a ruptura do contrato", ameaça Pagura.
Proposta - A proposta poderá ser aceita pela Unifesp. "Ainda não fomos informados oficialmente, mas não haverá melhorias se a verba não for repassada no dia estipulado pelo convênio", assegura Nogueira, embora acredite que o problema não seja a má administração. "Todos os meses o dinheiro chega com pelo menos 20 dias de atraso", afirma, sobre o pagamento que deve ser feito no segundo dia útil do mês. "Com isso, não temos condições de planejar as ações."
Segundo o reitor, para garantir o pagamento dos funcionários no quinto dia útil de cada mês é necessário recorrer a empréstimos bancários. Nogueira afirma que a falta de reajuste do orçamento também contribui para acentuar os problemas. Quando o acordo entre a Prefeitura e a Unifesp foi firmado, em 1994, o reajuste seria feito a cada seis meses. Alguns meses depois, com o Plano Real, ele passou a ser anual. O último, no entanto, ocorreu em novembro de 1994.
"Para cobrirmos todas as despesas e manter o atendimento, teríamos de receber R$ 1.930.000,00", acredita Nogueira. O reitor afirma que, desde 1997, são identificados diversos problemas por falta de verba na instituição, que atende a comunidade da região e serve de hospital-escola para os graduandos da Unifesp. "Mesmo com as notícias, a Prefeitura não deu reajuste."
Pagura diz que não há recursos para aumentar a verba de manutenção do hospital. "Até hoje não recebi uma planilha justificando a necessidade do aumento da verba", afirma Pagura. O reitor afirma que o documento foi enviado. O secretário explica que a comissão determinará se há necessidade de aumento do custeio. Se for constatada, Pagura diz que vai aprovar o aumento.

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