Secretário afirma que não pagará plantão a distância
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - O secretário de Saúde de Londrina, Márcio Nishida, afirmou ontem que o município não vai pagar incentivos para plantão a distância para os hospitais Santa Casa, Evangélico e do Câncer. Nishida disse, no entanto, que está renegociando ''para manter recursos de UTI e recursos de plantão presencial''.
Os hospitais Santa Casa e Evangélico haviam manifestado que fechariam os seus prontos-socorros (PS) no próximo mês caso o incentivo deixasse de ser pago. Segundo Nishida, de maio de 2009 até maio deste ano o município pagou um incentivo mensal de R$ 556 mil aos três hospitais.
Desse montante R$ 103 mil eram destinados para plantões presenciais na Santa Casa e Evangélico, que o município aceitou continuar pagando. O restante, cerca de R$ 425 mil, seria utilizado para plantões a distância.
Segundo Nishida, foi feito um pedido em junho, através de ofício, aos hospitais para que encaminhem outras informações sobre os plantões a distância, como ''nomes de plantonistas, especialidades e número de ocorrências.'' Numa reunião no Ministério Público, na última quinta-feira, ficou definido que os hospitais têm até segunda-feira, dia 29, para repassar os dados.
De acordo com o secretário, com base nas informações passadas pelos hospitais, o município decidirá se aumenta o incentivo para plantões presenciais. ''Em algumas especialidades, como a cardiologia, por exemplo, se o número de ocorrências durante o plantão à distância for grande, seria interessante passar para plantão presencial'', comentou.
Durante pelo menos um ano, de maio de 2010 até maio deste ano, o município pagou o incentivo, totalizando aproximadamente R$ 6,7 milhões, sem saber exatamente quantas vezes os médicos de plantão a distância eram chamados para atender ocorrências. Durante o plantão à distância, o médico pode ficar em casa, por exemplo, e ser chamado pelo telefone. Caso não receba nenhuma chamada, o médico recebe o valor do plantão da mesma forma.
A partir de junho deste ano o município deixou de pagar o incentivo. O governo estadual assumiu a conta repassando R$ 200 mil para a Santa Casa e o Evangélico, mas em setembro não repassará o recurso.
A Santa Casa e Evangélico, porém, receberão pelo programa Hospsus, do governo estadual, R$ 160 mil por mês a partir de setembro. De acordo com Nishida, além do novo repasse estadual, a Santa Casa e Evangélico recebem por mês pelo menos R$ 1,2 milhão e R$ 720 mil, respectivamente, para manter sua estrutura em funcionamento. ''Os hospitais foram notificados que caso, fechem os prontos-socorros, estarão quebrando uma claúsula do contrato'', afirmou.
O secretário da Saúde declarou ainda que, caso realmente os hospitais fechem seus prontos-socorros, eles podem ser descredenciados. ''O descredenciamento é a última das medidas. Em geral, o que acontece primeiro é um processo de advertência, retenção de recursos financeiros, para então terminar com o descredenciamento. Estamos pagando incentivo para manutenção desse serviço, para que o pronto-socorro não feche'', disse.
Segundo Nishida, de 2007 para 2010 houve um aumento de praticamente 100% nos repasses para os três hospitais. Em 2007 o valor mínimo por mês repassado aos hospitais correspondia a R$ 1,3 milhão e em 2010 passou para R$ 2,3 milhões. O secretário afirmou também que a prefeitura vai pagar uma dívida de aproximadamente R$ 450 mil, contraída nos últimos três meses por não repassar o incentivo.
A reportagem buscou contato com a direção da Santa Casa e do Evangélico, que não se manifestaram. Numa reunião no Ministério Público na última quinta-feira ficou definido que até o dia 10 de setembro os PS não serão fechados.


