Curitiba- O secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmerman (PT), admitiu, ontem pela manhã, que o Educandário São Francisco ocupa um prédio ''totalmente inadequado''. Com capacidade para 150 pessoas, o prédio estava com 237 no momento da rebelião. ''Com 25, 30 meninos abrigados juntos no mesmo salão tudo é possível'', desabafou.
De acordo com ele, o prédio do educandário é como ''um caixão de castigo'', quando os adolescentes deveriam ter um local que possibilitasse a sua reeducação. ''O governo do Estado lamenta profundamente o que ocorreu, solidarizando-se com as famílias dos meninos mortos e feridos, e continua decidido a mudar a sua política psicopedagógica dessa unidade. Quem está aqui já passa muita privação. O prédio não é adequado a esse tipo de instituição'', disse. Segundo ele, para cuidar de 237 adolescentes, a unidade conta com 250 funcionários. O ideal, observa o secretário, é dois funcionários para cada abrigado.
Padre Roque informou que o governo do Paraná já garantiu recurso para a construção de quatro novas unidades, com capacidade para 80 adolescentes, sendo 40 em internação provisória e 40 definitiva. Ele acredita que serão gastos cerca de R$ 27 milhões. Ele aguarda, agora, a abertura de licitação para contratação das empresas. Ele acredita que, aberta a licitação, em seis a oito meses, as unidades estejam concluídas.
Procurada pela Folha, Denise Paiva disse ontem que os governos federal e estadual já esperavam uma situação limite no Educandário São Francisco. ''Foi a crônica de uma morte anunciada'', disse, admitindo ter sido alertada por Padre Roque da superlotação do educandário e também do problema da unidade de internação de Londrina.
Paiva explicou, no entanto, que a Secretaria não pode fazer uma intervenção federal nesses locais sem o pedido do governo estadual. ''Mas se eles pedirem, uma pessoa sai daqui de Brasília no primeiro vôo'', garantiu. Segundo ela, para resolver o problema, o governo está concluindo um plano de capacitação, que deve ser adotado em todo o Brasil. Ainda não tem data para que isso aconteça.(Com Katia Michelli)

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