Secretário admite influência de vereadores sobre cargos das regionais
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sexta-feira, 31 de março de 2000
Por José Gonçalves Neto 
São Paulo, 1 (AE) - O secretário das Administrações Regionais, Naor Guelfi, admite que os vereadores ainda têm influência sobre os cargos das regionais. Ele explica que, mais do que critérios técnicos, prevalecem na hora da escolha de funcionários as relações entre eles e políticos, ou ainda lideranças da região. "O vereador conhece o local e é natural que faça indicações", disse. Apesar das declarações de Guelfi, a maioria dos parlamentares insiste em negar essa influência. "Mas não há imposições", garantiu o secretário. Há sete meses no cargo, ele manteve a maioria dos administradores da gestão anterior e diz não ter feito nenhuma substituição "política" para os cargos. Mas vê com naturalidade esse processo e justifica: "Eles (os vereadores) são líderes da comunidade, portanto, podem detectar problemas e apontar soluções."
O discurso do atual secretário difere totalmente do que foi tão divulgado pela Prefeitura no auge das investigações sobre a máfia dos fiscais. A explicação era de que os administradores regionais ligados a vereadores seriam substituídos por engenheiros de carreira, para evitar a corrupção. Na época, vários administradores foram exonerados.
Pedidos - Apesar do momento político vivido pela atual administração municipal, os vereadores continuam a bater na porta de Guelfi com pedidos. Em geral, são obras relacionadas a recapeamento de vias públicas e outras que tragam visibilidade. A proximidade das eleições municipais vem intensificando essa procura. "Nós temos analisado os pedidos e são muitos." Embora diga estar aberto a propostas vindas de partidos de qualquer corrente, a "participação" é quase exclusiva de membros da bancada governista.
Essa relação entre vereadores e funcionários das regionais traz alguma preocupação para o secretário. Mesmo considerando remota a possibilidade de que haja um retorno ao episódio que deu início, há um ano e meio, às investigações sobre a máfia da propina, ele não descarta o risco. O secretário admite que a proximidade das eleições pode criar situações isoladas, com fiscais empenhados em fazer "caixa" para um desses políticos.
Rígido controle sobre os números de multas aplicadas em cada regional é, segundo o secretário , uma das formas de averiguar possíveis "desvios". "A secretaria está fiscalizando as atividades das regionais e estamos atentos a qualquer alteração suspeita", garante.
Remanescente da administração Paulo Maluf, Guelfi tem experiência com vereadores e fiscais das regionais, por já ter atuado na secretaria como chefe de gabinete, entre 1979 e 1983 e entre 1993 e 1994. Nem sempre a influência dos políticos ocorre para indicação de funcionário. Em dezembro do ano passado, o administrador da Lapa, Edson Batista, disse ter sido exonerado por causa de pressão de vereadores. "Estou caindo por interferência de políticos incomodados com a minha independência", afirmou na época.
Mas Guelfi rebateu, dizendo que Batista havia sido afastado do cargo porque era alvo de um inquérito administrativo em que era acusado de extorsão. Hoje, o secretário diz, orgulhoso: "Não há um só administrador regional indiciado."


