Agência Estado
De Belém
O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, atacou ontem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmando que este patrocina abusos sexuais, humilhações e ameaças armadas contra os próprios lavradores, e as famílias deles, que vivem nos acampamentos da entidade no sul do Estado. ‘‘Para atingir seus objetivos, o MST utiliza mulheres grávidas e crianças para se proteger da reação da polícia.’
Ele disse que a PM, a partir de hoje, irá cumprir cinco mandados de reintegração de posse de áreas, como a Fazenda Cabaceira, em Marabá (PA). Câmara explicou que a ação da PM será feita com ‘‘cautela, mas dentro da lei’’.
Acusando o MST de desviar recursos da reforma agrária, Câmara acrescentou que entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) sabem desses fatos. ‘‘Esses movimentos apóiam o MST mais por princípios, mas não pelo que ele faz.’’
A direção estadual do MST disse que as declarações do secretário não representam mais nenhuma novidade. ‘‘A polícia e o governo que ele representa sempre estiveram ao lado dos latifundiários’’, resumiu o coordenador Raimundo Nonato Souza. Segundo ele, o MST não está disposto a sair da Fazenda Cabaceira, mesmo que a PM invada os acampamentos. ‘‘Vamos resistir, mesmo que eles queiram criar um novo Eldorado dos Carajás’’, afirmou, acrescentando que cerca de 60% da fazenda ‘‘está em área do Estado’’.

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