São Paulo, 09 (AE) - O secretário-adjunto de Saúde do governo do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, disse hoje que, para evitar filas em hospitais da rede, a secretaria encaminhará pacientes para realizar exames em clínicas particulares para unidades do Estado com menor demanda. Ele admitiu, no entanto, que pode haver filas para a realização dos exames mais procurados, como ultra-som e tomografia.
A secretaria cortou, no dia 1.º, 25% do repasse a laboratórios privados que prestam serviço ao Estado. Com isso, as filas para exames em hospitais estaduais poderão crescer, já que parte dos pacientes não será mais encaminhada às clínicas particulares. Barata afirmou que a secretaria tentará evitar o envio de pacientes para exames clínicos em hospitais já sobrecarregados, como o Hospital das Clínicas (HC), na zona oeste da capital. No entanto, ele afirmou que, se houver filas, a secretaria deverá aumentar o número de turnos para realização dos exames. Opções - "Há 44 hospitais no Estado além do HC", afirmou. "Não tem por que enviar alguém para fazer exame de sangue e de urina nesse hospital. Para isso, temos o Instituto Adolfo Lutz e Hospital do Mandaqui", exemplificou. Segundo Barata, o corte foi necessário porque houve um aumento de 25% na demanda por análises clínicas, como exames de urina e sangue, tanto na rede estadual como em clínicas particulares.
"Podemos atribuir esse aumento principalmente ao desemprego, já que muitas pessoas perderam os planos de saúde que tinham como benefícios em suas empresas", avaliou. "Como a quantidade de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) é limitada, tivemos de fazer cortes". A secretaria recebe R$ 215 milhões por mês do SUS. Só para clínicas particulares, repassava R$ 1,6 milhão por mês, informou o secretário-adjunto. Com o corte, passa a pagar R$ 1,2 milhão. Barata apontou que a secretaria gasta, por exemplo, R$ 500 mil por mês só com tomografias. O exame começou a ser oferecido em maio de 98.
Ele alega que a secretaria não cortou a hemodiálise nem a radioterapia em clínicas particulares, porque isso poria em risco a vida dos pacientes. "Gastamos R$ 12 milhões por mês só com hemodiálise, mas não podemos reduzir, pois se o paciente não encontrar vagas na rede estadual, morre". Segundo Barata, a secretaria já está reivindicando mais verbas para o governo federal. "Estamos pedindo mais dinheiro, mas isso será gasto com a hemodiálise, por exemplo. Para os exames mais simples, pretendemos redirecionar a demanda". A secretaria pretende avaliar se os médicos não estão pedindo exames desnecessários.

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