Secretaria vai dividir o Rio em "áreas de segurança"
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 27 (AE) - A Secretaria da Segurança Pública do Rio vai dividir o Estado em pelo menos 36 "áreas de segurança", em que as polícias Militar e Civil passarão a trabalhar de maneira integrada e planejada, com metas a atingir e cujos policiais receberão prêmios sempre que a criminalidade cair em sua jurisdição. O anúncio foi feito pelo governador Anthony Garotinho (PDT), hoje, após a primeira reunião de trabalho do Conselho de Segurança Pública do Estado, criado pelo pedetista para congregar 16 órgãos dos governos federal, estadual e municipal ligados ao combate ao crime.
Segundo o governador, "a segurança pública do Rio está saindo da Idade da Pedra". "Hoje, cada delegado e comandante de batalhão trabalha a seu bel-prazer, sem conversarem um com o outro", disse o governador. "Agora, vão ter que sentar juntos e traçar planos".
Em cada uma das novas áreas haverá apenas um batalhão da PM, embora possa haver mais de uma delegacia policial. Segundo Garotinho, acabará a situação atual, em que na área de uma DP, às vezes, atuam vários batalhões. A idéia é que as fronteiras físicas de atuação da Polícia Civil e da Polícia Militar coincidam. "Não haverá delegacia com pedaço de batalhão, nem batalhão com pedaço de delegacia", disse o secretário, general José Siqueira.
Em cada área, segundo o subsecretário de Pesquisa e Cidadania da SSP, Luís Eduardo Soares, haverá um conselho comunitário formado pela PM, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública e entidades da sociedade, para discutir o trabalho e fazer correções. A secretaria está montando bases de dados estatísticos, sociais, de equipamentos e pessoal para cada área, para facilitar o trabalho policial.
Um exemplo hipotético, citado hoje, foi o da Área 1, que englobaria do Leme à Rua Maria Quitéria, em Ipanema. Ali, há o 1º BPM e a 12ª Delegacia de Polícia, Hilário de Gouveia, e 13ª DP, Posto Seis.
Prioridade - Na reunião de hoje do conselho, estabeleceu-se prioridade para o combate ao tráfico de drogas, criação de novo perfil para as delegacias policiais, reforma do sistema penitenciário e combate ao roubo de veículos. "Oitenta por cento da droga que chega ao Rio entra pelo mar", disse Garotinho.
Outro assunto abordado foram os grandes traficantes de entorpecentes. "Recebemos da Justiça Federal informações muito importantes sobre processos contra grandes traficantes", contou o governador.
Do conselho fazem parte representantes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Poder Judiciário, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Defensoria Geral da União, Defensoria Pública Geral do Estado, Marinha, Exército, Aeronáutica, Receita Federal, Guarda Municipal da capital, Ordem dos Advogados do Brasil e Secretaria de Justiça. Ao encontro de hoje só não compareceu o representante da Marinha, ainda não indicado.


