Secretaria rejeita livro com propaganda
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, quer que o Ministério da Educação (MEC) retire de circulação os livros didáticos do ensino fundamental distribuídos nas escolas públicas, que contenham merchandising de empresas multinacionais. A denúncia foi apresentada na 1 Reunião do Conselho de Secretários de Educação (Consed), realizada na última semana, no Rio de Janeiro.
Maurício Requião disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que ''não aceita que esse tipo de indução ao consumo seja feita com dinheiro público, ainda que indiretamente''. Por isso, espera que o MEC corrija o que ele entende ser irregular e até recolha o material se for o caso. As propagandas, segundo a secretaria, vão de leite condensado, refrigerantes, até marcas de inseticidas.
Requião entregou ao ministro da Educação, Tarso Genro, e ao presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Pain Fernandes, seis exemplares dos livros que trazem as ''propagandas''.
Ainda de acordo com a Secretaria de Educação, o Consed encaminhou uma carta ao MEC e ao Fundo Nacional do Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) pedindo esclarecimentos. O conselho quer saber de quem é a responsabilidade pela impressão das propagandas. Os livros didáticos, que chegaram às escolas este ano, só serão substituídos em três anos.
Até ontem, a denúncia não havia chegado à coordenadora do Livro Didático do MEC, Nabiha Gebrin. Por meio da assessoria de imprensa, ela informou que deve aguardar a carta do Consed para saber do que se trata e definir que providências serão tomadas. Ainda segundo a assessoria, a reprodução de textos de jornais ou ilustrações nos livros didáticos que, eventualmente, contenham anúncios segue diretrizes do Conselho Nacional de Educação de trabalhar com conteúdos contextualizados, ou seja, aproximar o aluno da realidade.


