Secretaria reduz recursos para exames laboratoriais em 25%
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 08 (AE) - A fila de espera para a realização de exames laboratoriais, raio X e fisioterapia ficará maior a partir do fim do mês. Isso porque a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reduziu em 25% o teto dos pagamentos efetuados para os laboratórios particulares que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os laboratórios particulares não vão atender acima do teto pois, com o corte, o governo não pagará o valor excedente. Com isso, os pacientes que antes eram atendidos pelo setor particular terão de recorrer aos hospitais públicos, que não sofreram corte.
O tempo de espera para exames nos hospitais públicos hoje já é grande. Na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, por exemplo, a demora para realizar um exame de raio X é de três meses. O paciente do SUS só pode fazer o teste se retirar a guia. Para isso, ele precisa primeiro passar pelo pronto atendimento, para depois ser encaminhado para uma consulta com um especialista. A Santa Casa informou que a espera para consultas também pode demorar, em média, três meses. O mesmo ocorre no Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Daniel Del Sole faz exames mensais no laboratório e consultas pelo menos duas vezes ao mês. Com a espera para conseguir realizar exames, muitas vezes, as consultas chegam antes dos resultados dos testes. "Demorei três meses para fazer um ultra-som", reclamou. Aguardando uma cirurgia que colocará uma prótese em sua perna direita, Sole está tratando hoje de uma infecção urinária. "Só posso tratar a infecção depois de fazer todos os exames laboratoriais", explicou. "E só posso operar depois de curar a infecção". Uma fila de espera maior vai adiar os planos de pôr a prótese, segundo Sole.
Na prática, todos os exames laboratoriais realizados pelos laboratórios particulares, a partir deste mês, serão reduzidos em 25%. Segundo Dante Montagnana, presidente do Sindicato dos Hospitais e Laboratórios do Estado, as empresas particulares atendem todos os pacientes que têm guia de pedido para exames, emitidos pelos médicos. "Se a secretaria quer cortar a verba, por que não reduzir o número de guias?", questionou. Ele avalia que o paciente que tiver a guia tem o direito de ser atendido. "Caberá, então, ao laboratório realizar o exame sem receber pelo serviço ou negar o atendimento", explicou Montagnana.
A secretaria informou que repassou este ano, em média, R$ 3,5 milhões por mês. Já o sindicato informa que o valor do repasse mensal é de R$ 1 milhão. "Com o corte, estaremos recebendo R$ 250 mil a menos", disse Montagnana. Cerca de 472 mil exames laboratoriais (sangue, fezes, urina) e de diagnóstico por imagem (ultra-som e raio X) são realizados por mês pelos laboratórios particulares. No entanto, uma pessoa realiza mais de um exame por vez. Por isso, a secretaria não soube informar quantos pacientes ficarão sem atendimento em decorrência do corte.
Segundo L. C. Mattosinho França, diretor do Laboratório Mattosinho de Patologia, em São Paulo, com o corte, serão atendidos 500 pacientes a menos por mês. "O problema é que os exames de laboratório, como o anátomo-patológico (que avalia biopsias), é usado para completar o tratamento dos pacientes", disse. "Se o paciente não fizer o exame, seu tratamento será interrompido".


