Secretaria recebe denúncia contra casa de prostituição
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quarta-feira, 29 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público do Trabalho encaminhou esta semana para a Secretaria de Estado da Segurança Pública documentos que apontam irregularidades no Café Paris, casa de shows noturna para executivos que funciona na região central de Curitiba. Os documentos têm por base uma blitz realizada na semana passada, depois de denúncias anônimas de que adolescentes estariam trabalhando como prostitutas no local.
A batida não encontrou meninas, mas constatou irregularidades como favorecimento à prostituição e rufianismo (cobrança de terceiros pelo trabalho exercido através da comercialização sexual). Trinta mulheres trabalhavam no local sem qualquer garantia trabalhista. Outros funcionários estavam devidamente registrados. Em agosto, o Café Paris passou por uma fiscalização e foi autuado em flagrante.
As garotas de programa relataram para o Ministério Público do Trabalho que não conheciam os donos do estabelecimento. Elas não fazem programas no local. Elas saem com os empresários que frequentam o local. Para saírem da casa de shows, de acordo com os depoimentos encaminhados para a Secretaria da Segurança, o cliente é obrigado a pagar uma taxa de saída de R$ 50. Este valor entra na nota como gastos com consumação.
O Café Paris foi inaugurado no dia 4 de dezembro de 2002. No contrato social, aparecem como sócios os comerciantes Mateus Maranhão Ramos e Nivaldo Carlos Hoffmann. A empresa tem alvará para funcionar como restaurante, bar, boate e pode manter serviços de música ao vivo e mecânica. Ramos, que é chefe do gabinete do vereador de Curitiba Fábio Camargo (PFL), enviou ontem à redação da Folha um documento de alteração do contrato social. De acordo com o documento, ele e Hoffmann teriam vendido o estabelecimento aos comerciantes Severino David Skibinski e Vanessa Teixeira Leite. A alteração contratual, conforme documento encaminhado à Folha, ocorreu no dia 13 de maio deste ano.
Mateus Ramos disse que, quando era de sua propriedade, o Café Paris promovia apenas música ao vivo e funcionava como restaurante e charutaria. ''Não tínhamos garotas de programa no local. Nada temos com a casa hoje em dia. Nem quero saber o que acontece lá'', justificou ele.
A Folha procurou ontem os novos proprietários do Café Paris. Skibinski não foi encontrado em casa, nem no Café Paris. Vanessa foi localizada, mas não quis falar sobre o assunto. Ela mora no município de Pinhais. Nervosa, Vanessa pediu à reportagem que ligasse em cinco minutos e não mais atendeu as ligações. A irmã dela disse que nada sabia sobre o caso.
O pai, David Leite, foi pego de surpresa. Ele estranhou o fato de a filha aparecer como proprietária do Café Paris. ''Ela tem só 18 anos. É caixa do Café Paris. Não imagino que ela possa ter condições de comprar uma boate dessas'', afirmou ele. Vanessa não mora com o pai.


