Rio, 22 (AE) - O secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, André Corrêa, solicitou hoje à Eletronuclear, operadora do complexo nuclear de Angra dos Reis, uma análise independente do suposto risco ambiental causado pelos rejeitos radioativos - 2.100 toneladas de lixo atômico, estocados em depósito provisório da usina nuclear. O depósito está funcionando sem licença ambiental.
"Já solicitei o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), de especialistas locais e do Partido Verde da Alemanha nessa questão", disse Corrêa. "Quero uma entidade de competência internacional para fazer a avaliação do risco ambiental; a intimação formal será enviada hoje. "
De acordo com o superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luiz Soares, "não há problema nenhum com o depósito". "Ele tem todas as condições de segurança e temos a certeza de que as condições de guarda são as melhores possíveis, até que se defina a questão do depósito definitivo." Mas admitiu que "é necessário acelerar a aprovação" do local para onde seria removido o lixo atômico, atualmente guardado nas dependências da usina de Angra.O superintendente disse concordar com a eventual escolha da Agência Internacional de Energia Atômica, com sede em Viena, para a análise. "Se a sugestão for nesse sentido, a agência tem todas as condições para fazer o trabalho."
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também está avaliando o impacto ambiental do depósito provisório - a medida faz parte do processo de licenciamento ambiental da Usina Angra 2, que deverá ser inaugurada em abril.
Contra - "Seremos contra qualquer possibilidade de transformação do depósito provisório em depósito definitivo", afirmou hoje o prefeito de Angra, José Marcos Castilho (PT). "A Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) deveria enfrentar essa discussão de forma mais séria, lutar pela definição de uma política na questão dos depósitos de elementos radioativos; nós vamos buscar no Congresso essa definição."
A Cnen, órgão do governo, é responsável pelo destino dos rejeitos nucleares no País, mas o projeto-lei n) 189/91, que regulamenta o processo de construção de depósitos definitivos para o lixo nuclear, está parado no Congresso Nacional.

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