Secretaria não faz controle da doença
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terça-feira, 26 de dezembro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Apesar de já ter identificada a espécie de leishmania que causou 77 casos de leishmaniose em Londrina, a Secretaria Municipal de Saúde não faz o controle da doença, o que poderia ser feito segundo o pesquisador titular do Departamento de Imunologia do Instituto Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, Sérgio Mendonça. A espécie existente no município é a Leishmania braziliensies, comum nas regiões sul e sudeste do País. A secretaria não soube informar o motivo da falta de controle, principalmente no Parque Arthur Thomas, área de maior concentração do flebótomo, mosquito transmissor da leishmaniose.
De acordo com Mendonça, a identificação da espécie é fundamental para determinar se é possível controlar a doença. É importante fazer estudos epidemiológicos e entomológicos para montar estratégias de combate. O controle da Leishmania braziliensies pode ser feito, entre outros procedimentos, através do borrifamento de inseticida nas casas, explicou.
Ele ressaltou ainda que mesmo a espécie detectada em Londrina tem diversos tipos de insetos que podem transmitir a doença. Também é necessário identificar a espécie de parasita e a espécie do mosquito transmissor e ainda os possíveis reservatórios, frisou.
Mendonça explicou que a aplicação de inseticida para controlar a doença é viável para os casos de transmissão ligados ao domicílio. Se fosse só uma questão de mata era mais fácil evitar a doença não frequentando esses locais. Mas não é só isso. Com o desmatamento, o ciclo silvestre é rompido e os insetos se expõe, afirma.
Na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou que o Parque Arthur Thomas, a maior área verde da cidade, não corre o risco de ser interditado ou fechado por causa do aumento dos casos de leishmaniose. A diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental, Mara Ferreira Ribeiro, afirmou que a doença está sob controle. A enfermeira do setor Lúcia Lima disse que não tem conhecimento porque não é feito o controle da doença em Londrina. Não sei dizer o motivo. Só sei que esse controle não é feito em nenhum local do Estado, afirmou.
No ano ano passado foram registrados 64 casos de leishmaniose em Londrina. Neste ano, já foram notificados 43 casos na zona urbana e 34 na zona rural. Entretanto, a Secretaria de Sáude informou que a maioria dos casos notificados na zona urbana tem o histórico epidemiológico na zona rural. Ou seja, foram detectados em pessoas que desenvolveram atividades nas matas, como por exemplo, a pesca e a caça.
Os casos de leishmaniose registrados em Londrina são do tipo tegumentar americana, menos grave que a leishmaniose visceral, que pode matar. A leishmaniose tegumentar americana se manifesta através de feridas de difícil cicatrização e pode destruir as partes do corpo que têm mucosa.


