São Paulo, 01 (AE) - A Secretaria Municipal da Educação de São Paulo matriculou pelo menos 316 crianças de 07 anos da Cidade Dutra, periferia da zona sul, em duas escolas inexistentes. No local onde as escolas (ou as classes emergenciais) deveriam ter sido construídas, há dois terrenos baldios. Em 1999, no início do ano letivo, moradores dessa região chegaram a invadir o prédio da Secretaria Municipal da Educação para protestar contra a falta de vagas nas escolas. Para solucionar o problema, as secretarias Estadual e Municipal da Educação anteciparam a matrícula para setembro.
A intenção era ter tempo hábil para conhecer a demanda por vagas e acomodar as crianças, antes do início do ano letivo, que começa no dia 7. No entanto, os pais desses alunos tiveram certeza, há algumas semanas, de que as escolas onde as crianças deveriam estudar nem começaram a ser construídas. Esses alunos (segundo a comissão de pais, são 640 e não 316) foram inscritos em dois colégios municipais: Escola Joaquim Bento, no Jardim Cocaia (Grajaú), e Escola Plínio Salgado, no Jardim Eliana. Mas, no ato da matrícula, os pais foram informados de que essas escolas serviam apenas de referência.
O excedente de crianças da Escola Plínio Salgado deveria estudar em uma escola que seria construída na Rua Paola, no mesmo bairro. Já as matriculadas na Escola Joaquim Bento estudariam no terreno da Rua José Júlio Mendes. "Todas as vezes que eu ligava perguntando pela escola, me diziam que estava sendo construída", diz a dona de casa Jandira Ribas, mãe de Mateos, de 7 anos. "Um dia eu disse que era vizinha do terreno e sabia que não estava tendo construção nenhuma". Local inadequado - O secretário municipal de Educação, João Gualberto Menezes, explicou que as escolas não foram construídas porque nenhum dos terrenos era adequado. Além disso, Gualberto ressalta que a obrigação de assegurar vagas no ensino fundamental é compartilhada entre o Estado e o município. Segundo ele, nos últimos 15 dias têm sido realizadas reuniões diárias entre técnicos das duas secretarias para tentar solucionar o problema.
Por enquanto, as alternativas são acomodar as crianças em salões paroquiais ou em salas emprestadas do Estado. Os pais decidiram, além de pressionar o município, entrar com uma ação civil pública contra a Secretaria de Estado da Educação. O motivo, dizem, é a redução de quatro para três turnos das escolas estaduais. A Assessoria de Imprensa da secretaria estadual informou que as escolas estão com três turnos há pelo menos um ano (para que as crianças possam estudar durante cinco horas diárias) e esse é um problema do município, que está sendo resolvido com a ajuda do Estado.

mockup