Araçatuba, SP, 22 (AE) - A Secretaria Estadual da Saúde lançou hoje, em Araçatuba, a 550 quilômetros da capital paulista
o Programa Estadual de Controle da Leishmaniose Viceral. O lançamento ocorreu um ano após o registro do primeiro caso positivo da doença em um cão na zona urbana do município. Segundo o secretário estadual da Saúde, José da Silva Guedes, o objetivo do programa é evitar mortes humanas. Nos últimos 16 meses, duas pessoas morreram em Araçatuba e outras 26 que apresentaram sintomas estão em tratamento ou observação. Uma delas reside na cidade de Birigui, distante apenas 10 quilômetros.
Cerca de 2 mil cães, principais hospedeiros do protozoário que transmite a doença, já foram sacrificados. A transmissão entre os seres vivos é feita por um mosquito, o Lutzomya longipalpis, cujo combate é considerado mais difícil do que o do Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela
de acordo com o superintendente Luís Jacinto, da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) em São Paulo. O inseto se prolifera em locais onde há produto orgânico em decomposição como frutas estragadas, fezes ou lixo.
Providências - O lançamento do programa de controle teve a presença de 144 secretários municipais de Saúde de São Paulo e três do Mato Grosso do Sul. A primeira providência deverá ser a instalação de um Departamento de Controle de Zoonoses, com carrocinha para captura de cãoes em todas as cidades. Campanhas de esclarecimento sobre a forma de reduzir a infestação do mosquito transmissor e de como identificar animal ou pessoa infectada também farão parte das práticas comuns.
Os médicos que falaram no encontro de secretários lembraram que a leishmaniose pode ser curada até mesmo com uma simples alimentação reforçada, desde que diagnosticada a tempo. Além disso, de cada dez pessoas que contraem o vírus apenas uma ou duas ficam de fato doentes, ou seja, apresentam os sintomas. Febre alta e constante, diarréia, barriga grande e cabelos quebradiços são alguns deles. O controle da leishmaniose atingirá todo Estado, mas será mais intenso nos 68 municípios localizados num raio de 150 quilômetros de Araçatuba. Nesses, haverá um inventário da população canina através de recolhimento de amostras de material para exames em laboratório. Exames - Hoje, o diretor geral do Instituto Adolfo Lutz, Cristiano Azevedo Marques, garantiu que não haverá mais atrasos no envio dos resultados. Segundo ele, foram contratados funcionários e treinado pessoal em 12 unidades regionais do instituto para garantir entrega dos diagnósticos em menos de 78 horas. A capacidade que antes era praticamente zero, agora é de 10 mil exames por mês em cães e 1 5 mil, humanos. A maior reclamação de pacientes e donos de animais suspeitos até hoje, é a demora em se obter o resultado dos exames que já foi superior a 90 dias.
O secretário Silva Guedes considera irreversível a convivência com a leishmaniose viceral em São Paulo, porque, segundo ele, ela está presente hoje em praticamente todos os Estados, especialmente no norte de São Paulo. Até agora foram pesquisados 270 municípios no Estado; em 15 deles foram localizados cães com diagnóstico positivo da leishmaniose. Quatro municípios estão na região de Bauru e os demais na região de Araçatuba. Guedes disse que há três semanas foram localizados dois cães contaminados com a doença na cidade de Diadema, região da Grande São Paulo.
Os animais, disse, teriam vindo do Estado do Ceará onde a leishmaniose é endêmica. Mesmo assim ele considera que a secretaria deu uma resposta rápida e tem chances de evitar epidemias como já ocorreu em São Luís (MA), Terezina (PI), Fortaleza (CE), Corumbá (MS) e Santarém (PR).
São registrados anualmente cerca 500 mil novos casos de contágio humano em todo o mundo. No Brasil há uma estimativa, considerada subestimada, de 3 mil casos por ano. A doença vem se alastrando em outras partes do mundo como Índia, áfrica e sul da Europa.

mockup