A Secretaria Estadual do Meio Ambiente exigiu que a Petrobras e a Ecovia – concessionária que administra o trecho da BR-277, entre Curitiba e Paranaguá – reforcem o número de pessoas que trabalham na limpeza do rios dos Padres e dos Pintos, na Serra do Mar. No último sábado, cerca de 30 mil litros de óleo vazaram nesses rios, depois de um acidente envolvendo um caminhão-tanque que transportava óleo para navio (do tipo A1) e um caminhão carregado de farelo de soja, no km 42 da rodovia, sentido Paranaguá.
No final de semana, cerca de 150 pessoas trabalharam no local. Ontem, o número subiu para 300. O processo de limpeza, segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, é lento e difícil, principalmente por causa das limitações de acesso aos rios. Andreguetto considera o acidente como ‘‘gravíssimo’’, principalmente pela região já ter sido castigada com derramamento de óleo em ocorrências anteriores.
Desde o último domingo, a pesca e o consumo da água estão proibidos no Rio dos Padres e no dos Pintos. Ontem, a proibição se estendeu para a Rio Nhundiaquara até o início da Baía de Antonina, mas apenas por ‘‘precaução’’, segundo disse Andreguetto. Ele descarta a possibilidade do produto atingir ao Rio Nhundiaquara.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ainda estudam os impactos ambientais causados pela contaminação dos dois rios. ‘‘A situação é grave porque além da quantidade de óleo vazada no último final de semana ter sido grande, ele atinge uma das áreas mais bem preservadas ambientalmente’’, salienta Andreguetto.
Plano de contingência para acidentes de grande monta na rodovia, foi apresentado ao IAP e Defesa Civil em 1998, quando a Ecovia assumiu a administração da estrada. No entanto, o IAP entendeu que o plano continha falhas e era frágil e ele não foi aprovado. Andreguetto comenta que o plano apresentado era insuficiente para atendimentos emergenciais.
Para o presidente da Ecovia, Ademar Rofrigues Alves, o acidente ocorrido no sábado foi uma fatalidade que não poderia ser evitada. ‘‘Nós temos planos para casos de emergência, mas não dá para prever onde correrá nem a gravidade’’, disse. No caso da colisão dos caminhões, de acordo com ele, o derramento de óleo foi instantâneo. A ação da empresa também foi dificultada devido ao grande movimento na rodovia em função do feriado. Mesmo assim, ele garante que 40 minutos após o acidente a Ecovia, a Petrobras e a Transportadora Relógio já estavam atuando no local, na limpeza do rio e da estrada. O trânsito ficou interditado por cerca de seis horas.
O gerente da Transportadora Relógio, Reginaldo Vantroba, também afirma que o atendimento pelas empresas foi imediato. A transportadora, segundo ele, levou ao local 60 metros cúbicos de serragem e areia e 200 sacas de cal para fazer a contenção e absorção do produto.
Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, tanto a Ecovia, como a transportadora Relógio e a Petrobras podem ser responsabilizadas – e multadas – pelo acidente.(Colaborou Maigue Gueths)

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