Secretaria é depredada no Pará; 20 pessoas ficam feridas em protesto
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a ae 
Belém, 17 (AE) - O prédio da Secretaria de Defesa Social do Pará foi invadido e depredado hoje durante manifestação contra a impunidade e lembrando a morte de 19 sem-terra, mortos por policiais militares há quatro anos, em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. O protesto foi promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e outros movimentos, nas ruas centro de Belém. Um pelotão de 150 homens da Polícia Militar chegou ao local atirando para o alto, dispersando os invasores.
Durante o protesto 20 pessoas ficaram feridas, cinco manifestantes foram presos e sete veículos de funcionários e policiais, depredados. Uma viatura da PM foi virada e ficou atravessada na rua em frente do prédio. O policial Roberto Joacir Garcia Fábio teve o braço quebrado ao defender-se de uma paulada dada por um manifestante.
O repórter Jonas Campos e o cinegrafista Célio Costa, da TV Liberal, foram agredidos quando documentavam o quebra-quebra. Eles foram pisoteados e espancados. O equipamento da emissora foi quebrado. Costa deu queixa na polícia e fez exame de corpo de delito.
Prédio - As vidraças do prédio foram quebradas a pedradas. Computadores e telefones, segundo a assessoria da Secretaria de Defesa Social, também foram destruídos pelos invasores. Os funcionários se refugiaram em gabinetes e banheiros no momento da invasão. Os prejuízos ainda estão sendo avaliados.
Na praça Felipe Patroni, cerca de 500 homens da Polícia Militar cercaram o prédio do Tribunal de Justiça para protegê-lo de uma invasão. As audiências foram suspensas. Manifestantes gritavam palavras de ordem contra os militares que protegiam o prédio do TJ, chamando-os de assassinos.
Responsabilidade - O secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, responsabilizou pelo ataque um grupo de militantes petistas conhecido por Brigada Cabana, que estariam "infiltrados" entre os sem-terra, participando de uma outra passeata cujo destino final era engrossar a manifestação em frente ao prédio da Justiça. "Foi um ataque praticado por desordeiros profissionais", afirmou Câmara, enfatizando que esse grupo estaria a serviço da prefeitura de Belém.
O MST negou qualquer responsabilidade pela depredação da Secretaria de Defesa Social. "Havia uns mil lavradores que vieram de vários assentamentos do sul do Pará, mas estavam na passeata umas três mil pessoas. Não sabemos quem eram. Quando quebraram o prédio não havia ninguém do MST lá", afirmou um dos líderes do MST, Jorge Nery.
Nery disse que a multidão se dispersou antes do ataque ao prédio da polícia, porque homens da PM jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra as pessoas que faziam parte da passeata, tentando evitar que elas chegassem até a praça Felipe Patroni, onde outros manifestantes estavam reunidos.
Nery acusou a PM de ter agido com "muita violência, reprimindo o ato público", mas condenou o ataque à Secretaria de Defesa Social. "A nossa passeata era pacífica", resumiu, acrescentando que o MST, embora tenha "ódio da Rede Globo", não apóia a agressão sofrida pelos repórteres da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará. "São dois profissionais dignos e sérios, que fazem seu trabalho com honestidade."


