Secretaria diz que desocupará fazenda nos próximos dias
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quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Polícia Militar (PM) iniciou ontem o levantamento da situação na Fazenda Santa Filomena, na divisa entre os municípios de Planaltina do Paraná (57 km a oeste de Paranavaí) e Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí), onde um trabalhador sem-terra morreu e outros seis ficaram feridos num confronto com seguranças no último sábado. A intenção é fazer um planejamento para desocupação da área, cumprindo determinação do juiz de Terra Rica, Luiz Henrique Trompzynski. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública informou ontem que o governo do Estado pretende cumprir a reintegração no menor prazo possível.
Segundo a PM, o número de sem-terra na fazenda aumenta a cada dia. Ontem estavam acampadas cerca de 650 pessoas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cobra a punição dos envolvidos na morte do sem-terra Elias Gonçalves de Meura, de 20 anos. Até agora ninguém foi preso. Três pessoas reconhecidas por sem-terra feridos no tiroteio foram indiciadas em inquérito. ''Preciso colher informações sobre a localização de todos os envolvidos no tiroteio. Mas tudo é muito difícil. Não tenho conseguido entrar na fazenda para fazer diligências. Tenho que cuidar da minha própria segurança'', afirmou o delegado Alessandro Humberto Luz, que preside o inquérito policial.
Hoje o dono da fazenda deve ser ouvido. Até agora, o delegado ouviu sete integrantes do MST e pediu o laudo pericial de todos os feridos no confronto. ''Temos poucas informações e isso causa descontentamento nos sem-terra. Estamos fazendo o que podemos para evitar tensão na fazenda'', disse.
A PM mantém 20 homens na área, que tem 1.752 hectares. A tese do inquérito é a de que o conflito tenha sido provocado pelos seguranças, que teriam atirado nos sem-terra para evitar a invasão.
O advogado dos donos da área, Mário Hélio Lourenço de Almeida Filho, afirma que os seguranças atiraram apenas depois de ocupação. ''Os sem-terra entraram atirando. Isso só vai ser comprovado quando a polícia entrar lá para fazer a perícia nas casas. Os seguranças revidaram para proteger as vidas e o patrimônio particular. Infelizmente, o conflito gerou morte'', afirmou.


