Secretária de Serviços e Obras pede demissão
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Alceu Luís Castilho e Marcelo Onaga 
São Paulo, 10 (AE) - Sete meses após assumir interinamente o cargo e três meses após ser efetivada, a secretária Municipal de Serviços e Obras, Márcia Heloisa Pereira da Silva Buccolo, pediu hoje demissão. O pedido foi prontamente aceito pelo prefeito Celso Pitta (PTN), que disse desconhecer os motivos da secretária.
Na raiz do problema, porém, está a megalicitação do lixo, suspensa até o dia 22 por decisão de Pitta, após várias denúncias de irregularidades no processo.
Com a decisão, o prefeito vai acompanhar de mais perto a licitação que dividirá a coleta e varrição de lixo na cidade. "Quando o secretário é interino existe um acompanhamento direto do prefeito", explicou o secretário de Comunicação Social, Antenor Braido.
O secretário interino foi escolhido rapidamente por Pitta: é João Octaviano Machado Neto, ex-presidente da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam).
Em março, Pitta reagiu de modo oposto a um pedido de demissão do então secretário de Serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli, que acumulava a pasta com a Secretaria de Vias Públicas. Savelli havia sido indiciado pela polícia por prevaricação e formação de quadrilha, mas o prefeito insistiu na sua permanência por dez dias, até aceitar a exoneração.
A megalicitação do lixo proposta pela demissionária Márcia Buccolo transforma o atual sistema de coleta e varrição dividindo a cidade em 27 regiões, ao contrário das atuais quatro regiões. Em entrevista dada há duas semanas ao Jornal da Tarde, a secretária disse que estava "sofrendo pressões" e que já havia pensado "três vezes" em pedir demissão. "A gente ousou buscar um projeto novo, sem nenhuma interferência, nem do prefeito nem de ninguém", disse.
A suspensão da licitação, na semana passada, ocorreu dois dias antes de a secretaria abrir os envelopes com propostas de habilitação dos interessados na concorrência. O edital continha erros como repetição de ruas em listas de varrição, medições erradas das vias e listagem de ruas e avenidas de uma regional na circunscrição de outra.
Com a suspensão, um novo edital será publicado no dia 22 de dezembro e as empresas terão um prazo de um mês para se inscreverem. Caso não consiga concluir a licitação até maio, a Prefeitura terá de firmar contratos de emergência, para que a cidade não fique sem coleta e varrição de lixo.
Segundo Antenor Braido, nada será alterado com a saída da secretária. "A licitação tem o acompanhamento de procuradores"
alega.


