Secretaria de Direito Econômico investiga grupo português Sonae
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 07 (AE) - O grupo supermercadista português Sonae está sob investigação da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Os dois organismos querem verificar se a empresa está cometendo práticas abusivas contra fornecedores depois de adquirir as redes Real, Extra-Econômico e Nacional, do Rio Grande do Sul, e Mercadorama e Coletão, do Paraná.
As averiguações começaram depois que fabricantes de bens de consumo recorreram às federações das indústrias dos dois Estados (Fiergs e Fiep) com queixas contra o Sonae. No Paraná os produtores de hortigranjeiros da região de Curitiba apelaram para a Assembléia Legislativa. A medida resultou em um projeto de lei do deputado Aníbal Khury (PFL), atualmente em tramitação, que suspende incentivos fiscais a empresas que praticarem abuso de poder econômico no Estado.
As reclamações incluem exigências, por parte do supermercado, de descontos de mais de 20% e prazos de até 60 dias para alguns produtos, o que superaria as próprias margens obtidas por seus fornecedores. Eles também estariam arcando com um "rapel" (taxa para financiar a expansão do grupo) de até 10% e sendo pressionados a ampliar as contribuições para propaganda, além de pagar R$ 2,5 mil a título de "taxa de registro" dos produtos vendidos à empresa.
Na SDE, a apuração pretende levantar se as aquisições da empresa estão configurando a formação de oligopólio ou cartel. Se o resultado for positivo, o caso será submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que pode aplicar penalidades que vão desde a cobrança de multas até a anulação de aquisições, informou a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça.
"Eles passaram do ponto", disse o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL-PR), vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. Em abril ele organizou uma audiência pública em Curitiba sobre os "contratos leoninos" impostos pelo Sonae aos seus fornecedores e em seguida solicitou explicações formais ao presidente do grupo no Brasil, José Baeta Tomás. "Esperamos receber os documentos nos próximos dias", afirmou.
Segundo o deputado, caso haja indicações de uma "situação mais grave" a comissão poderá propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a concentração no segmento de supermercados ou gerar um indicação formal solicitando a intervenção do Cade no caso. Ele também admitiu uma proposta de decreto legislativo para anular atos que eventualmente tenham provocado a formação de oligopólios no setor.
No Rio Grande do Sul, a Fiergs calcula que o Sonae já detém 50% do mercado. A entidade já reuniu-se duas vezes com o grupo e agora vai comparar os contratos do supermercado com as queixas dos fornecedores, especialmente de produtos alimentícios.
No Paraná, segundo estimativa da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) é que a rede domina perto de 40% do setor na região metropolitana de Curitiba. Até agora as discussões no Estado levaram à formalização de um acordo entre o Sonae e a Fiep, firmado em nota conjunta publicada dia 15 de abril, em que o supermercado se compromete a "melhorar o relacionamento" com seus fornecedores, informou o diretor da federação, Celso Gusso.
De acordo com o deputado Luciano Pizzatto, porém, um eventual entendimento não anula a investigação da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. "Um simples acordo não muda a evidência do poder que uma rede de supermercados pode adquirir"
comentou. A AGÊNCIA ESTADO solicitou entrevista à diretoria do grupo Sonae mas não obteve resposta.


