Secretaria de comunicação do governo será reduzida
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Gerson Camarotti e Tânia Monteiro 
Brasília, 17 (AE) - A comunicação institucional do governo federal vai passar por uma reestruturação. "Peguei uma secretaria inchada e ineficaz", disse o novo secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo. A idéia é retirar da secretaria o atual status de ministério e torná-la um órgão mais operacional. O primeiro passo da reformulação em curso será a redução do número de funcionários. Hoje, a Secretaria de Comunicação tem 100 pessoas lotadas em sua estrutura e Andrea Matarazzo quer limitar esse número para no máximo 40 funcionários. Vai aproveitar a experiência adquirida durante sua gestão na Companhia Energética de São Paulo (CESP), quando reduziu o quadro de 20 mil para 8 mil funcionários.
O secretário também quer eliminar a duplicação de funções entre sua pasta, os ministérios e as empresas estatais, que mantêm estruturas próprias de comunicação. O resultado disso, segundo Matarazzo, é que a comunicação institucional do governo é dispersa, muitas vezes sem qualidade e sem uniformidade. "Queremos dar uma cara, tom e linguagem para a propaganda do governo", disse.
A primeira mudança será sentida já na próxima semana. "Todos os comerciais divulgando ações de qualquer ministério ou estatal levarão a assinatura do governo federal, já que não estávamos capitalizando esse investimento", avisa Matarazzo. A propaganda dos Correios que começou a ser veiculada terça-feira já foi preparada dentro da nova filosofia da secretaria, que em 1999 irá enfatizar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Mesmo assim, ela foi ao ar sem a logomarca do governo federal, erro que está sendo reparado.
Segundo ele, quando a assinatura final é apenas de um ministério qualquer, muitas vezes a população não identifica que se trata de uma obra ou ação executada pelo presidente da República. Resultado: Fernando Henrique Cardoso não se beneficiou em quase nada dos R$ 676,2 milhões gastos pela União em publicidade no ano passado.
Para 1999, a previsão é de um gasto menor, que não deve ultrapassar os R$ 490,2 milhões, incluindo os R$ 77 milhões gastos com a publicidade da administração direta e outros R$ 413 2 milhões com as estatais. Com menos recursos para esse ano, Matarazzo pretende mudar a estratégia de comunicação para obter um melhor resultado. Ainda esse mês, já começa a ser adotada uma nova linguagem publicitária, num formato regionalizado.
As peças publicitárias do governo e de seus órgãos apresentarão o que determinada obra ou ação federal irá beneficiar os moradores dos Estados onde estejam sendo veiculadas, relembrando o estilo adotado durante a campanha presidencial. "Temos que mostrar os benefícios das obras e não o que elas custarão simplesmente", explica o secretário.
Andrea Matarazzo também pretende investir na imagem do Brasil no exterior, que hoje está associada exclusivamente ao ecoturismo e ao turismo sexual. "Queremos trazer para o Brasil pessoas dispostas a gastar", disse.


